Quarta-feira, Abril 30, 2003
Acabei de marcar com o meu pretê (abreviação para pretendente) de sair... Ai que bom!! Ele é tão fofo!!
Ops... Me senti derreter agora. As mulheres sabem bem do que eu estou falando, não? Pois bem... É isso mesmo! Vou falar sobre um assunto que os homens são totalmente ignorantes!! Sim, a menstruação.
Vocês já repararam como há um processo de repúdio entre a "fraldinha" absorvente (sim, pois aquilo é uma fralda em miniatura!") e o sangue? Em minhas viagens mentais, cheguei a conclusão que o sangue é o macho e a fraldinha a fêmea da relação. Como? É só observar o comportamento dos dois...
O sangue sempre está querendo marcar território, chega sujando tudo é espaçoso, bruto e chama a atenção logo que chega. O seu principal objetivo é penetrar nos "furinhos" da fraldinha ou de qualquer mulher que se aproxime, seja ela a calcinha ou a calça.
Já a fraldinha é uma fresca por natureza. Toda vez que o sangue vem com toda vontade, ela cheia de dedos se esquiva, afasta, sai de perto. Obviamente como o sangue nem sempre tem paciência para os seus capricho acaba por ir procurar outros "horizontes" e acaba por sempre nos braços da calcinha e muitas vezes da calça.
O sangue e a fraldinha, não falam a mesma lingua. Durante a noite então, quando é o momento de maior intimidade entre os dois é um terror!! Se o sangue estiver muito irritado, é de certo que ele irá procurar a calcinha, a camisola e pasmem... Até o colchão! É claro, pois o nojinho da fraldinha sempre acaba por afastar o sague e fazer a lambança geral.
A indústria até que melhorou um pouco a fraldinha nos últimos anos... Os últimos modelos possuem até abas de abraço, para confortar melhor o sangue, mas nem sempre a fraldinha consegue conter a pressão e enorme volúpia do sangue. Não há jeito. Há vezes que você sente que é charminho da fraldinha mesmo, pois ela está limpinha enquanto as amantes (calcinha, calça e etc) estão todas lambuzadas... Ai que raiva!
Vocês já repararam como há um processo de repúdio entre a "fraldinha" absorvente (sim, pois aquilo é uma fralda em miniatura!") e o sangue? Em minhas viagens mentais, cheguei a conclusão que o sangue é o macho e a fraldinha a fêmea da relação. Como? É só observar o comportamento dos dois...
O sangue sempre está querendo marcar território, chega sujando tudo é espaçoso, bruto e chama a atenção logo que chega. O seu principal objetivo é penetrar nos "furinhos" da fraldinha ou de qualquer mulher que se aproxime, seja ela a calcinha ou a calça.
Já a fraldinha é uma fresca por natureza. Toda vez que o sangue vem com toda vontade, ela cheia de dedos se esquiva, afasta, sai de perto. Obviamente como o sangue nem sempre tem paciência para os seus capricho acaba por ir procurar outros "horizontes" e acaba por sempre nos braços da calcinha e muitas vezes da calça.
O sangue e a fraldinha, não falam a mesma lingua. Durante a noite então, quando é o momento de maior intimidade entre os dois é um terror!! Se o sangue estiver muito irritado, é de certo que ele irá procurar a calcinha, a camisola e pasmem... Até o colchão! É claro, pois o nojinho da fraldinha sempre acaba por afastar o sague e fazer a lambança geral.
A indústria até que melhorou um pouco a fraldinha nos últimos anos... Os últimos modelos possuem até abas de abraço, para confortar melhor o sangue, mas nem sempre a fraldinha consegue conter a pressão e enorme volúpia do sangue. Não há jeito. Há vezes que você sente que é charminho da fraldinha mesmo, pois ela está limpinha enquanto as amantes (calcinha, calça e etc) estão todas lambuzadas... Ai que raiva!
Terça-feira, Abril 29, 2003
Contrastando com o clima melancólico da minha colega blogueira, encontro-me num estado de encantamento quase místico em relação ao sexo frágil, ao belo sexo, ao sexo feminino. Ainda outro dia eu escancarava aqui a minha perplexidade contínua com o poder de sedução que emana naturalmente, e o que é ainda mais surpreendente, de forma inconsciente, das mulheres.
Obtive algumas respostas.
Algumas mulheres que conheço até passaram a ficar mais atentas, na rua, aos detalhes deliciosamente cativantes que as outras mulheres, como floradas no campo, exalam para o encantamento da platéia masculina mais observadora e sensível. Como por exemplo, as ajeitadas no cabelo, no jeitinho de jogar o cabelo para trás e prendê-lo, seja com um lápis, com uma piranha, ou mesmo com um nó. (suspiro)
Vivemos também pelas diferenças. Cabelos longos, pulsos finos, estatura mais baixa, estrutura óssea mais delicada, quadris fartos, glúteos pronunciados, coxas roliças, pele delicada, perfume doce, modos mais suaves, vestimenta mais sugestiva, decotes ousados, seios convidativos, colares e brincos, batons e maquiagem! Na mulher tudo seduz! Tudo encanta! Tudo transcende os sentidos.
Encanta-me nas mulheres tudo aquilo que Deus lhes deu, seja na fartura, seja na ausência. O que lhes falta é um convite ao complemento do macho. O que lhes abunda é um lembrete vivo de que nelas reside o poder da maternidade com todas suas conotações de abrigo, de aconchego, e de paz.
Amo as mulheres. Amo-as cada vez mais.
Talvez um dia eu ainda morra disso!
Obtive algumas respostas.
Algumas mulheres que conheço até passaram a ficar mais atentas, na rua, aos detalhes deliciosamente cativantes que as outras mulheres, como floradas no campo, exalam para o encantamento da platéia masculina mais observadora e sensível. Como por exemplo, as ajeitadas no cabelo, no jeitinho de jogar o cabelo para trás e prendê-lo, seja com um lápis, com uma piranha, ou mesmo com um nó. (suspiro)
Vivemos também pelas diferenças. Cabelos longos, pulsos finos, estatura mais baixa, estrutura óssea mais delicada, quadris fartos, glúteos pronunciados, coxas roliças, pele delicada, perfume doce, modos mais suaves, vestimenta mais sugestiva, decotes ousados, seios convidativos, colares e brincos, batons e maquiagem! Na mulher tudo seduz! Tudo encanta! Tudo transcende os sentidos.
Encanta-me nas mulheres tudo aquilo que Deus lhes deu, seja na fartura, seja na ausência. O que lhes falta é um convite ao complemento do macho. O que lhes abunda é um lembrete vivo de que nelas reside o poder da maternidade com todas suas conotações de abrigo, de aconchego, e de paz.
Amo as mulheres. Amo-as cada vez mais.
Talvez um dia eu ainda morra disso!
De certa forma, não tenho como não demonstrar certos descontentamentos com alguns homens... Por que vocês no auge de sua ignorância sobre as mulheres sempre agem da forma errada?
Por vezes, tenho eu evitado de me envolver com os errados. Sou muito seletiva mesmo, pois no meu precoce amadurecimento tenho certeza que ter todos significa ter ninguém e beijos superficiais, são nada.
Ah, sim! Cansei. Cansei mesmo dessa procura pelo o certo. Estou cansada dessa alteridade consumista ocidental. Quero aventurar-me sim novamente nos braços e na mente profunda de um ser que por vezes acredito que não vá existir. Não nessa minha vida.
Cansei do telefone mudo, do flerte tolo, dos papos desconexos, das juras profanas e principalmente, cansei de acordar sozinha. Cansei mesmo da imbecilidade do sexo masculino e de toda sua previsibilidade. Cansei dos imaturos, dos jovens e dos errados. Cansei mesmo!!!
Agora só falta a resposta para a minha pergunta... Quando estou cansada fisicamente eu durmo e recomponho minhas forças. O que devo fazer para recompor minha fadiga desses fragmentos de relação, superficiais, incrédulos e toscos?
E fica aqui registrado o meu descontentamento com o universo masculino. Conselhos na sessão de comentários são bem vindos.
Por vezes, tenho eu evitado de me envolver com os errados. Sou muito seletiva mesmo, pois no meu precoce amadurecimento tenho certeza que ter todos significa ter ninguém e beijos superficiais, são nada.
Ah, sim! Cansei. Cansei mesmo dessa procura pelo o certo. Estou cansada dessa alteridade consumista ocidental. Quero aventurar-me sim novamente nos braços e na mente profunda de um ser que por vezes acredito que não vá existir. Não nessa minha vida.
Cansei do telefone mudo, do flerte tolo, dos papos desconexos, das juras profanas e principalmente, cansei de acordar sozinha. Cansei mesmo da imbecilidade do sexo masculino e de toda sua previsibilidade. Cansei dos imaturos, dos jovens e dos errados. Cansei mesmo!!!
Agora só falta a resposta para a minha pergunta... Quando estou cansada fisicamente eu durmo e recomponho minhas forças. O que devo fazer para recompor minha fadiga desses fragmentos de relação, superficiais, incrédulos e toscos?
E fica aqui registrado o meu descontentamento com o universo masculino. Conselhos na sessão de comentários são bem vindos.
Sexta-feira, Abril 25, 2003
Hoje, para minha surpresa, boa surpresa, vi que minha colega-cibernética deu o ar de sua graça e incluiu seus pensamentos neste diário eletrônico. Valeu. Mas ficou a vontade de perguntar: você vem sempre aqui?
Quinta-feira, Abril 24, 2003
Que vida futil a minha, nao? Somente festas, zoeiras, álcool e derivados, sono, sexo... Do que é mesmo que eu estava reclamando??
***
Até que ponto você é meu amigo?
Eu estive pensando muito durante essa semana, mas bateu meio que uma preguiça em escrever... O fato de eu ter me envolvido com um amigo de infância tem me feito pensar muito sobre essa questão. Na verdade, essa história é antiga e quem assistiu Harry e Sally talvez já tenha a sua definição de amizade colorida composta. Eu, acredito em amizades entre homens e mulheres.
Apesar de parece um paradoxo, pois os dois pertencem a mundos diferentes, onde realmente a racionalidade e por muitas vezes o machismo masculino nos impede de constituir algo mais intelectualmente íntimo. Dividir sentimentos é uma coisa fundamental na vida de uma mulher, tão fundamental como respirar... Como hoje, os relacionamentos são fragmentados, superficiais e possuem data de validade de yogurte (consuma rápido antes que estrague!), essa tarefa passou a ser dos amigos e amigas. Antigamente, diziam que mulheres não eram amigas de mulheres. Hoje eu acho isso um mito. Um mito desses que os homens espalharam para que as mulheres nunca se unissem e tivessem consciência do seu poder. Pois é, assim como o casamento, esse mito tem se extinguido cada vez tornado tudo mais confuso... Confuso?! Sim, confuso, pois a intimidade intelectual passa a existir com os amigos e amigas. Eu tenho notado como amigas minhas tornaram-se lésbicas e homens gays. Essa pluralidade confunde a cabeça e as idéias de todos, pois hoje tudo é possível, tudo é normal... Será que talvez não estejamos precisando dos velhos e antigos tabus? Que toda essa liberdade sem limites por vezes é nociva a nós mesmos? Será que temos realmente que nos perder para nos encontrar?
Minha teoria quer dizer que para definir uma amizade (não importa se é entre homens ou mulheres) temos que partir do pressuposto:
- Há tensão sexual entre os membros compostos? Existe algum tipo de afinidade física além da intelectual? Você se sente atraído pelo o outro?
Se a resposta for não sem pestanejar, vocês são amigos. Por isso tenho dito que acredito na amizade com sexo oposto. Acredito mesmo...
Quanto a amizade que eu tinha com o meu amigo de infância se foi... Tornou-se algo sem definição lógica ou que não segue nenhum padrão de comportamento. Não há nome para descrever o que temos ou o que sentimos um pelo outro. É isso mesmo... Confuso. Talvez possamos dizer que temos uma relação pós-moderna. Seja lá que tipo de padrão isso represente...
Obs. Dedico esse texto a todos os meus queridos amigos. Todos que foram surgindo quando eu não esperava... Como se diz popularmente "Amizade é a família que nós escolhemos".
***
Certas coisas surreais acontecem conosco por vezes. Hoje, fui almoçar lá pelas 15h, assim eu economizo dinheiro e faço apenas uma refeição por dia.
Então, fui no quase-restaurante que existe perto da minha casa. Quase, porque eu acho que ele tem um aspecto de boteco melhorado. Fiz o meu pedido como faço normalmente em meu eterno anonimato, apesar de almoçar por lá todos os dias e então sentada esperando o meu almoço, um homem sentou a minha frente.
O sujeito, não era uma homem na minha concepção de conquista. Era uma dessas figurinhas que assistimos em filmes americanos, aqueles típicos latinos mexicanos, com pulseiras largas e douradas, camisa aberta, barriga indecente, dente de ouro, barba e palito nos dentes. Argh! Nojento... Por vezes diversas ele sentava-se a minha frente e ficava observando-me almoçar. Eu sem graça comia apenas. Até aí tudo bem...
Hoje porém ele resolveu puxar papo.
Não!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E eu não estava para conversar com bicheiro. Eu costumo ser bem educada e simpática com a maioria das pessoas, mas hoje não!! Ai que saco! Eca!
O pior é que o cara sabia mais de mim do que vocês que assistem Big Brother sabem sobre os participantes da casa... Senti-me em um filme do Robert Rodriguez, sendo perseguida pelo o El Mariachi...
Horror!! Estou com medo!
Eu estive pensando muito durante essa semana, mas bateu meio que uma preguiça em escrever... O fato de eu ter me envolvido com um amigo de infância tem me feito pensar muito sobre essa questão. Na verdade, essa história é antiga e quem assistiu Harry e Sally talvez já tenha a sua definição de amizade colorida composta. Eu, acredito em amizades entre homens e mulheres.
Apesar de parece um paradoxo, pois os dois pertencem a mundos diferentes, onde realmente a racionalidade e por muitas vezes o machismo masculino nos impede de constituir algo mais intelectualmente íntimo. Dividir sentimentos é uma coisa fundamental na vida de uma mulher, tão fundamental como respirar... Como hoje, os relacionamentos são fragmentados, superficiais e possuem data de validade de yogurte (consuma rápido antes que estrague!), essa tarefa passou a ser dos amigos e amigas. Antigamente, diziam que mulheres não eram amigas de mulheres. Hoje eu acho isso um mito. Um mito desses que os homens espalharam para que as mulheres nunca se unissem e tivessem consciência do seu poder. Pois é, assim como o casamento, esse mito tem se extinguido cada vez tornado tudo mais confuso... Confuso?! Sim, confuso, pois a intimidade intelectual passa a existir com os amigos e amigas. Eu tenho notado como amigas minhas tornaram-se lésbicas e homens gays. Essa pluralidade confunde a cabeça e as idéias de todos, pois hoje tudo é possível, tudo é normal... Será que talvez não estejamos precisando dos velhos e antigos tabus? Que toda essa liberdade sem limites por vezes é nociva a nós mesmos? Será que temos realmente que nos perder para nos encontrar?
Minha teoria quer dizer que para definir uma amizade (não importa se é entre homens ou mulheres) temos que partir do pressuposto:
- Há tensão sexual entre os membros compostos? Existe algum tipo de afinidade física além da intelectual? Você se sente atraído pelo o outro?
Se a resposta for não sem pestanejar, vocês são amigos. Por isso tenho dito que acredito na amizade com sexo oposto. Acredito mesmo...
Quanto a amizade que eu tinha com o meu amigo de infância se foi... Tornou-se algo sem definição lógica ou que não segue nenhum padrão de comportamento. Não há nome para descrever o que temos ou o que sentimos um pelo outro. É isso mesmo... Confuso. Talvez possamos dizer que temos uma relação pós-moderna. Seja lá que tipo de padrão isso represente...
Obs. Dedico esse texto a todos os meus queridos amigos. Todos que foram surgindo quando eu não esperava... Como se diz popularmente "Amizade é a família que nós escolhemos".
Certas coisas surreais acontecem conosco por vezes. Hoje, fui almoçar lá pelas 15h, assim eu economizo dinheiro e faço apenas uma refeição por dia.
Então, fui no quase-restaurante que existe perto da minha casa. Quase, porque eu acho que ele tem um aspecto de boteco melhorado. Fiz o meu pedido como faço normalmente em meu eterno anonimato, apesar de almoçar por lá todos os dias e então sentada esperando o meu almoço, um homem sentou a minha frente.
O sujeito, não era uma homem na minha concepção de conquista. Era uma dessas figurinhas que assistimos em filmes americanos, aqueles típicos latinos mexicanos, com pulseiras largas e douradas, camisa aberta, barriga indecente, dente de ouro, barba e palito nos dentes. Argh! Nojento... Por vezes diversas ele sentava-se a minha frente e ficava observando-me almoçar. Eu sem graça comia apenas. Até aí tudo bem...
Hoje porém ele resolveu puxar papo.
Não!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E eu não estava para conversar com bicheiro. Eu costumo ser bem educada e simpática com a maioria das pessoas, mas hoje não!! Ai que saco! Eca!
O pior é que o cara sabia mais de mim do que vocês que assistem Big Brother sabem sobre os participantes da casa... Senti-me em um filme do Robert Rodriguez, sendo perseguida pelo o El Mariachi...
Horror!! Estou com medo!
As coisas - Jorge Luis Borges
A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
Ontem de madrugada refletimos sobre Arte, sobre a necessidade e a razão de ser da Poesia, divagamos sobre a sobrecarga de emoção nas obras do Impressionismo, refletimos sobre a finitude da Vida e mais que tudo, nos emocionamos ao constatar que a Arte, em todas as suas manifestações, nos proporciona saborerar um átimo efêmero de Eternidade e Divindade.
"Cultura é Vida" - ouvi em uma declaração de Jorge Amado.
"Nós somos uma criação de nós mesmos" e "Fazemos Poesia (e Arte) porque precisamos do maravilhoso em nossas vidas. Uma criança vê uma formiga, a chuva, qualquer coisa, e se maravilha. Quando crescemos o que era maravilhoso torna-se cotidiano. Contudo a fome e a sede de maravilhas continua. Então, para suprir esta necessidade vital, o Homem inventa o Maravilhoso" - ouvi numa entrevista do Ferreira Gullar.
Estas foram considerações de uma noite alegre. Alegre de bebida, de bate-papo, de risos.
Uma noite alegre porque em alguns momentos fugidios nos elevamos de nossa condição carnal, material e centelhamos como pedacinhos que somos da Glória Celestial.
"Cultura é Vida" - ouvi em uma declaração de Jorge Amado.
"Nós somos uma criação de nós mesmos" e "Fazemos Poesia (e Arte) porque precisamos do maravilhoso em nossas vidas. Uma criança vê uma formiga, a chuva, qualquer coisa, e se maravilha. Quando crescemos o que era maravilhoso torna-se cotidiano. Contudo a fome e a sede de maravilhas continua. Então, para suprir esta necessidade vital, o Homem inventa o Maravilhoso" - ouvi numa entrevista do Ferreira Gullar.
Estas foram considerações de uma noite alegre. Alegre de bebida, de bate-papo, de risos.
Uma noite alegre porque em alguns momentos fugidios nos elevamos de nossa condição carnal, material e centelhamos como pedacinhos que somos da Glória Celestial.
Terça-feira, Abril 22, 2003
Eu acho que as vezes os profissionais da ficção extrapolam o direito de serem descompromissados com a realidade e acabam gestando uma prole tão absurda que estes filhos bastardos parecem ser obras de ficção da ficção, ou seja, filhos de mula, gerados em 18 meses, ou ainda, para apelar a anglicismos já incorporados no nosso idioma colonial, coisas que são overkill ou over the edge, ou seja, traduzindo liberalmente, a la Vera Loyola, muito areiazinha pro nosso caminhãozinho. Senão, vejamos as últimas notícias sobre projetos em andamento vindos diretamente dos reinos da telinha e da telona:
1) Continuando na mesma linha de Betty, a Feia, o SBT planeja comprar outra "obra" prima da cinematografia colombiana, intitulada Pedro, o Escamoso...
2) Está previsto para o segundo semestre deste ano o lançamento do blockbuster de terror "Freddy Krueger contra Jason". Esta notícia dispensa comentários...
3) Stallone (quantos anos?) continua trabalhando no enredo de Rambo 4 (não é 4? é 5? sei lá!), no qual encarnará o velho herói do Vietnã que desta vez estará encarregado de matar nada mais nada menos que o cavernoso (?!) vilão Osama Bin Laden. À boca pequena diz-se que o arqui-inimigo americano morrerá com a estaca da tremulante bandeira americana cravada em seu peito...
***************************************************
Por falar em ficção, desta vez sendo a realidade mais absurda que o delírio criativo mais louco, uma nova contribuição foi feita à lista das cantadas mais ridículas da face da terra, a cantada "faminta":
Depois de todo o interrogatório de praxe, no qual o marmanjo extrai da gatinha nome, endereço, idade, altura, doenças infecto-contagiosas contraídas na infância, etc, ele entra no terreno estritamente "profissional".
- E aí, gatinha, que que cê faz da vida? Estuda? Trabalha?
- Eu sou nutricionista...
Ao que nosso galante conquistador replica de bate-pronto, enquanto vai escaneando o brotinho desde o salto-agulha até o olho-no-olho, com um leve sorriso sacana na face:
- Logo vi! (hehehe)
A menina, atônita, faz cara de pasmo e indaga: - Como assim?
Ele: - Aí, toda bem nutrida....cheia de carnes....(e mais risadinhas escrotas: hehehe)....
***************************************************
O rascunho do conto abaixo é isso mesmo, um rascunho, mas vou colocá-lo, assim mesmo, na página, porque a inspiração para a personagem mirim que encerra a história surgiu após eu conhecer um ser bizarro neste final de semana em Petrópolis.
Idos de 1968, anos de chumbo, ano da revolta estudantil em Paris.
Longe deste turbilhão, Petrópolis continuava com sua vida pacata e rasteira.
Na época, o ponto de encontro da juventude transviada atendia pelo singelo nome de "Bar do Siri".
Lá, toda noite, havia um tremendo engarrafamento de vespas, e as meninas de sai rodada e golas rolê jogavam seu charme para os boys de gel no cabelo e jaqueta de couro.
Por lá também marcavam ponto os valentões da Gangue do Limão.
Vinham com suas motocas poderosas vestindo pullovers confeccionadas pela tia do Joca, um dos líderes da turma, todas amarelo-mostarda com um grande limão galego bordado às costas.
Segundo seu lema de vida, ao qual juravam fidelidade eterna, assim se auto-denominavam-se porque "somos azedos, somos amargos e quem com nóis topa faz careta".
Celidônio era um cara pacato. Tímido, desengonçado e na dele. Vez por outra aparecia no bar, atraído pela mesa de pôquer escondida nos fundos do boteco.
O dono da mesa era Seu Manoel, o proprietário-balconista do bar. Era um português de anedotas, grande, parrudo, de camiseta branca sebosa, de longos bigodes negros e careca reluzente. Seu Manoel sofria um mal crônico: visão seletiva. Só via o que queria ver, o que poderia interessá-lo, o que o fazia sentir-se feliz. Por exemplo, não via a mesa de jogo escondida na salinha dos fundos, não via que menores sentavam-se nela para jogar e não via os jovens bebendo e contraindo dívidas.
Entre os mais assíduos na roda de cartas estava o Celidônio.
No dia de seu aniversário de maioridade, Celidônio, como sempre, dirigiu-se ao bar, sedento de Cuba-libres e ávido pelo carteado.
Não contava com o "presente". Seu Manoel, ex-boxeador, ex-estivador e ex-assentador de pedras portuguesas à porrete, o esperava.
A dívida de Celidônio agora era estratosférica.
- Aqui tu não jogas mais, ó gajo. Nem bebes. Traz-me primeiro o que me deves, ou talvez tua mãe não comemore contigo teus dezenove anos, rapaz...agora, vai!
Celidônio foi. Mesmo porque apesar de retraído não nutria sentimentos suicidas.
Bem, o resumo da história é o seguinte: o medo do portuga foi tão grande que o mancebo arrumou um trabalho no armarinho do primo gago da amiga de sua tia solteirona, onde conheceu o amor de sua vida, uma antiga funcionária do estabelecimento, a doce Célia Celina. Trabalhou que nem um condenado um ano inteirinho, economizando cada tostão, contando com os carinhos consoladores de Célia.
Ao final de um ano, voltou ao bar. Era noite de lua cheia, sexta-feira. O Bar do Siri, mais lotado do que nunca. O rock and roll rolava alto. Quando viram o Celidônio vindo, a comoção foi geral. Juntou-se uma multidão de enormes proporções à porta. Todo mundo saiu de dentro, o gato, o cachorro, os jogadores, os bêbados, o Seu Manoel, que postou-se com olhar de poucos amigos, pernas separadas, braços cruzados exibindo o famoso coração flechado, inscrito com a frase "amor da mãe", tatuado no antebraço colossal.
Celidônio parou a três passos do portuga. Parecia um duelo. Tudo poderia acontecer. O jovem estende um maço de notas e diz: - Tá aqui, minha dívida esta paga. Agora sou livre. Vou me casar com a Célia.
Deve ter sido a emoção. A última frase simplesmente foi cuspida lá de dentro, sem pensar. Célia, que aguardava o desenlace do embróglio, saiu do meio do povo e atracou-se no pescoço do Celidônio, gritando "meu chuchu, eu te amo". O Seu Manoel, homem forte, que nunca apresentou nenhuma doença em todos os seus muitos anos de vida, teve que ser amparado de volta ao balcão. Estava aos prantos. Até os rapazes da Gangue do Limão, esquecendo da fama de
mau, aplaudiram e jogaram os bonés pro alto. Uma catarse coletiva. Uma apoteose.
Entrou pra história. Virou lenda. Correu à boca pequena que alguém teria ouvido o portuga, soluçando no meio de seu choro convulsionado: "este rapaz, muito idôneo, muito idôneo....".
Sete meses depois nasceu o bebê, fruto do amor de Celidônio e Célia Celina.
O nome de batismo? Siridônio Portela.
Porque foi o episódio do Bar do Siri que mudou para sempre o destino daqueles jovens.
Porque é parecido com o nome do jovem papai.
E porque foi exatamente no dia em que a ala das baianas da Portela exibiu-se de graça em Petrópolis, no carnaval de 1968, que aquele jovem apaixonado, Celidônio, e aquela jovem funcionária de encantadores olhos castanhos do armarinho "A Agulha Magistral", Célia Celina, conheceram pela primeira vez o amor, e se entregaram com tamanha volúpia a sua paixão que ali, naquela noite, debaixo de uma frondosa jaqueira, próximo aos jardins do palácio imperial, que eles conceberam aquele menino que selaria para sempre o seu amor.
*************************************************
Pichações:
Alguém se lembra do "Lerfa Mú"? E do "Celacanto provoca maremotos"?
Pois agora tenho notado em muros, tapumes e viadutos a frase bombástica e proselitista: "Só Jesus expulsa demônios".
Pena eu não ter o mínimo talento musical. Se tivesse, o nome da minha banda de rock seria identificado pelas iniciais S.J.E.D., acrônimo da frase acima. Claro, só tocaria rock pesado e criaria a maior polêmica com a turminha crente, que logo "descobriria" o "verdadeiro" significado das iniciais, dizendo que seria algo do tipo "Satã julga e domina" ou "Sai Jesus Entra Demônio"...Lógico que eu e os outros integrantes da banda, um anão careca, uma mulher barbada e um negão vestido de nazista, alimentaríamos a lenda e ganharíamos rios de dinheiro...
Pena!
Quem mandou não insistir nas aulas de piano quando moleque...devia ter agüentado os peidos fedorentos...não os da professora, mas daquele cachorrinho dela...
1) Continuando na mesma linha de Betty, a Feia, o SBT planeja comprar outra "obra" prima da cinematografia colombiana, intitulada Pedro, o Escamoso...
2) Está previsto para o segundo semestre deste ano o lançamento do blockbuster de terror "Freddy Krueger contra Jason". Esta notícia dispensa comentários...
3) Stallone (quantos anos?) continua trabalhando no enredo de Rambo 4 (não é 4? é 5? sei lá!), no qual encarnará o velho herói do Vietnã que desta vez estará encarregado de matar nada mais nada menos que o cavernoso (?!) vilão Osama Bin Laden. À boca pequena diz-se que o arqui-inimigo americano morrerá com a estaca da tremulante bandeira americana cravada em seu peito...
***************************************************
Por falar em ficção, desta vez sendo a realidade mais absurda que o delírio criativo mais louco, uma nova contribuição foi feita à lista das cantadas mais ridículas da face da terra, a cantada "faminta":
Depois de todo o interrogatório de praxe, no qual o marmanjo extrai da gatinha nome, endereço, idade, altura, doenças infecto-contagiosas contraídas na infância, etc, ele entra no terreno estritamente "profissional".
- E aí, gatinha, que que cê faz da vida? Estuda? Trabalha?
- Eu sou nutricionista...
Ao que nosso galante conquistador replica de bate-pronto, enquanto vai escaneando o brotinho desde o salto-agulha até o olho-no-olho, com um leve sorriso sacana na face:
- Logo vi! (hehehe)
A menina, atônita, faz cara de pasmo e indaga: - Como assim?
Ele: - Aí, toda bem nutrida....cheia de carnes....(e mais risadinhas escrotas: hehehe)....
***************************************************
O rascunho do conto abaixo é isso mesmo, um rascunho, mas vou colocá-lo, assim mesmo, na página, porque a inspiração para a personagem mirim que encerra a história surgiu após eu conhecer um ser bizarro neste final de semana em Petrópolis.
Idos de 1968, anos de chumbo, ano da revolta estudantil em Paris.
Longe deste turbilhão, Petrópolis continuava com sua vida pacata e rasteira.
Na época, o ponto de encontro da juventude transviada atendia pelo singelo nome de "Bar do Siri".
Lá, toda noite, havia um tremendo engarrafamento de vespas, e as meninas de sai rodada e golas rolê jogavam seu charme para os boys de gel no cabelo e jaqueta de couro.
Por lá também marcavam ponto os valentões da Gangue do Limão.
Vinham com suas motocas poderosas vestindo pullovers confeccionadas pela tia do Joca, um dos líderes da turma, todas amarelo-mostarda com um grande limão galego bordado às costas.
Segundo seu lema de vida, ao qual juravam fidelidade eterna, assim se auto-denominavam-se porque "somos azedos, somos amargos e quem com nóis topa faz careta".
Celidônio era um cara pacato. Tímido, desengonçado e na dele. Vez por outra aparecia no bar, atraído pela mesa de pôquer escondida nos fundos do boteco.
O dono da mesa era Seu Manoel, o proprietário-balconista do bar. Era um português de anedotas, grande, parrudo, de camiseta branca sebosa, de longos bigodes negros e careca reluzente. Seu Manoel sofria um mal crônico: visão seletiva. Só via o que queria ver, o que poderia interessá-lo, o que o fazia sentir-se feliz. Por exemplo, não via a mesa de jogo escondida na salinha dos fundos, não via que menores sentavam-se nela para jogar e não via os jovens bebendo e contraindo dívidas.
Entre os mais assíduos na roda de cartas estava o Celidônio.
No dia de seu aniversário de maioridade, Celidônio, como sempre, dirigiu-se ao bar, sedento de Cuba-libres e ávido pelo carteado.
Não contava com o "presente". Seu Manoel, ex-boxeador, ex-estivador e ex-assentador de pedras portuguesas à porrete, o esperava.
A dívida de Celidônio agora era estratosférica.
- Aqui tu não jogas mais, ó gajo. Nem bebes. Traz-me primeiro o que me deves, ou talvez tua mãe não comemore contigo teus dezenove anos, rapaz...agora, vai!
Celidônio foi. Mesmo porque apesar de retraído não nutria sentimentos suicidas.
Bem, o resumo da história é o seguinte: o medo do portuga foi tão grande que o mancebo arrumou um trabalho no armarinho do primo gago da amiga de sua tia solteirona, onde conheceu o amor de sua vida, uma antiga funcionária do estabelecimento, a doce Célia Celina. Trabalhou que nem um condenado um ano inteirinho, economizando cada tostão, contando com os carinhos consoladores de Célia.
Ao final de um ano, voltou ao bar. Era noite de lua cheia, sexta-feira. O Bar do Siri, mais lotado do que nunca. O rock and roll rolava alto. Quando viram o Celidônio vindo, a comoção foi geral. Juntou-se uma multidão de enormes proporções à porta. Todo mundo saiu de dentro, o gato, o cachorro, os jogadores, os bêbados, o Seu Manoel, que postou-se com olhar de poucos amigos, pernas separadas, braços cruzados exibindo o famoso coração flechado, inscrito com a frase "amor da mãe", tatuado no antebraço colossal.
Celidônio parou a três passos do portuga. Parecia um duelo. Tudo poderia acontecer. O jovem estende um maço de notas e diz: - Tá aqui, minha dívida esta paga. Agora sou livre. Vou me casar com a Célia.
Deve ter sido a emoção. A última frase simplesmente foi cuspida lá de dentro, sem pensar. Célia, que aguardava o desenlace do embróglio, saiu do meio do povo e atracou-se no pescoço do Celidônio, gritando "meu chuchu, eu te amo". O Seu Manoel, homem forte, que nunca apresentou nenhuma doença em todos os seus muitos anos de vida, teve que ser amparado de volta ao balcão. Estava aos prantos. Até os rapazes da Gangue do Limão, esquecendo da fama de
mau, aplaudiram e jogaram os bonés pro alto. Uma catarse coletiva. Uma apoteose.
Entrou pra história. Virou lenda. Correu à boca pequena que alguém teria ouvido o portuga, soluçando no meio de seu choro convulsionado: "este rapaz, muito idôneo, muito idôneo....".
Sete meses depois nasceu o bebê, fruto do amor de Celidônio e Célia Celina.
O nome de batismo? Siridônio Portela.
Porque foi o episódio do Bar do Siri que mudou para sempre o destino daqueles jovens.
Porque é parecido com o nome do jovem papai.
E porque foi exatamente no dia em que a ala das baianas da Portela exibiu-se de graça em Petrópolis, no carnaval de 1968, que aquele jovem apaixonado, Celidônio, e aquela jovem funcionária de encantadores olhos castanhos do armarinho "A Agulha Magistral", Célia Celina, conheceram pela primeira vez o amor, e se entregaram com tamanha volúpia a sua paixão que ali, naquela noite, debaixo de uma frondosa jaqueira, próximo aos jardins do palácio imperial, que eles conceberam aquele menino que selaria para sempre o seu amor.
*************************************************
Pichações:
Alguém se lembra do "Lerfa Mú"? E do "Celacanto provoca maremotos"?
Pois agora tenho notado em muros, tapumes e viadutos a frase bombástica e proselitista: "Só Jesus expulsa demônios".
Pena eu não ter o mínimo talento musical. Se tivesse, o nome da minha banda de rock seria identificado pelas iniciais S.J.E.D., acrônimo da frase acima. Claro, só tocaria rock pesado e criaria a maior polêmica com a turminha crente, que logo "descobriria" o "verdadeiro" significado das iniciais, dizendo que seria algo do tipo "Satã julga e domina" ou "Sai Jesus Entra Demônio"...Lógico que eu e os outros integrantes da banda, um anão careca, uma mulher barbada e um negão vestido de nazista, alimentaríamos a lenda e ganharíamos rios de dinheiro...
Pena!
Quem mandou não insistir nas aulas de piano quando moleque...devia ter agüentado os peidos fedorentos...não os da professora, mas daquele cachorrinho dela...
Quinta-feira, Abril 17, 2003
Eis que eu apareci por aqui para salvar meu antigo colega (já promovido a amigo) das garras do roxinol assobiador.
Pois bem... Fiquei dias, semanas que me pareceram meses e anos sem o computador. Finalmente hoje consegui fazer com que minha máquina ressucitasse de seu estado de coma. Finalmente consegui acessar meus e-mails e dar uma navegadinha na internet! Estava morrendo de saudade do mundo virtual e da era tecnológica. Não pela computação em si, mas era saudade mesmo de escrever besteiras, pensar sobre a vida e indagar sobre o mundo. Sim, devo dizer que essa é a minha nostalgia peculiar.
***
Sinto-me só na verdade. Estranho. Sinto-me bem, mas sinto-me só. Não sei dizer ao certo se realmente estou preparada para um relacionamento sério com alguém, mas sinto falta de ter alguém. Será isso apenas um sentimento possessivo ediondo? É engraçado, porque normalmente não sou carente e muito menos estou carente. Não sei se na verdade quero um relacionamento e por muitas vezes sinto-me auto-suficiente sentimentalmente, mas as vezes, só as vezes quando encosto a minha cabeça em meu travesseiro gostaria de poder sonhar com alguém. Gostaria de poder pensar em uma pessoa específica e dar longos e bobos suspiros apaixonados. Há tanto tempo que eu não sinto isso...
Deixando de lado toda essa análise (que algumas pessoas confundem com tristeza), queria por muitas vezes descobrir quem sou e o que quero fazer com o pouco de tempo que me resta de encarnação nesse corpo. As vezes tenho a sensação de que sou livre para desbravar o mundo e realizar mil coisas. As vezes tenho a sensação que perco meu tempo inutilmente com o ócio. Que prisão é essa de contemplação sobre o tempo, todo o tempo. Que escravidão!
***
Eu queria dizer ao meu amigo Gelzinho que não me esqueci de te ligar. Eu não saí e nada tenho feito de minha vida além de pensar no filme "A carteira". E assim o cinema me consome como a pipoca que consumimos no cinema. Da mesma forma, pulando de idéias, salgando o suficiente para o tom desejado e finalmente consumindo-me por dentro!
Cruel é esse sentido de criação! As vezes queria ser uma planta para não pensar tanto, pois sou tão livre em idéias que acabo tansformando-me escrava.
***
Infelizmente hoje não tenho muita coisa a dizer. Não há nada de engraçado no reino da dinamarca. Somente idéias desconexas que incomodam como uma micose sem cura.
Pois bem... Fiquei dias, semanas que me pareceram meses e anos sem o computador. Finalmente hoje consegui fazer com que minha máquina ressucitasse de seu estado de coma. Finalmente consegui acessar meus e-mails e dar uma navegadinha na internet! Estava morrendo de saudade do mundo virtual e da era tecnológica. Não pela computação em si, mas era saudade mesmo de escrever besteiras, pensar sobre a vida e indagar sobre o mundo. Sim, devo dizer que essa é a minha nostalgia peculiar.
***
Sinto-me só na verdade. Estranho. Sinto-me bem, mas sinto-me só. Não sei dizer ao certo se realmente estou preparada para um relacionamento sério com alguém, mas sinto falta de ter alguém. Será isso apenas um sentimento possessivo ediondo? É engraçado, porque normalmente não sou carente e muito menos estou carente. Não sei se na verdade quero um relacionamento e por muitas vezes sinto-me auto-suficiente sentimentalmente, mas as vezes, só as vezes quando encosto a minha cabeça em meu travesseiro gostaria de poder sonhar com alguém. Gostaria de poder pensar em uma pessoa específica e dar longos e bobos suspiros apaixonados. Há tanto tempo que eu não sinto isso...
Deixando de lado toda essa análise (que algumas pessoas confundem com tristeza), queria por muitas vezes descobrir quem sou e o que quero fazer com o pouco de tempo que me resta de encarnação nesse corpo. As vezes tenho a sensação de que sou livre para desbravar o mundo e realizar mil coisas. As vezes tenho a sensação que perco meu tempo inutilmente com o ócio. Que prisão é essa de contemplação sobre o tempo, todo o tempo. Que escravidão!
***
Eu queria dizer ao meu amigo Gelzinho que não me esqueci de te ligar. Eu não saí e nada tenho feito de minha vida além de pensar no filme "A carteira". E assim o cinema me consome como a pipoca que consumimos no cinema. Da mesma forma, pulando de idéias, salgando o suficiente para o tom desejado e finalmente consumindo-me por dentro!
Cruel é esse sentido de criação! As vezes queria ser uma planta para não pensar tanto, pois sou tão livre em idéias que acabo tansformando-me escrava.
***
Infelizmente hoje não tenho muita coisa a dizer. Não há nada de engraçado no reino da dinamarca. Somente idéias desconexas que incomodam como uma micose sem cura.
Terça-feira, Abril 15, 2003
Arrgghhhhhhhhh...
Nem sempre ir ao cinema foi uma experiência tão "científica", tão "futurista", como hoje em dia.
Hoje, não se vai simplesmente ao cinema. Não, de modo algum. Hoje, depois dos americanos dominarem o mundo e imporem em todo lugar a sua cultura de linha de montagem, tudo é igual, tudo tem a mesma cara, todos os atendentes sorriem o mesmo alvíssimo sorriso colgate, todas os bares servem pipoca gigante com coca-cola no balde, combinação caloricamente mortífera que os gringos nos adestram sutilmente a pedir pelo nome de combo, e até o cinema nem mais cinema é, é COMPLEXO! Ou Multiplex! Várias salinhas iguais, uma exatamente ao lado da outra, para rápido consumo. Nada de personalidade, nada de estilo, nada de diferenças. Não importa se você está em Istambul, em Marrakesh ou em Pequim. Tudo tem de parecer, mais que isso, SER igual. Ah, e pra ser um complexo decente, não esqueçam do McDonald's across the street! Oh yeah!
Lembro-me em parte de ouvir falar, em parte através de vagas e remotíssimas lembranças, da época em que os filmes eram mudos, em preto-e-branco, em todos os cinemas haviam baleiros circulando na sala de projeção, época em que tinhamos matinês aos domingos e as sessões costumavam incluir vários seriados em seqüência, onde a tônica era: "será que nosso herói escapará a tempo? não perca o próximo episódio de...".
Aqui há certamente uma aparente contradição. Nesta época, marcada pelos excelentes filmes da Vera Cruz, onde passeavam na telona nomes como Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, Dick Farney, também tinhamos as grandes produções musicais de hollywood, os filmes de caubói, e, um pouco anterior a isto, os seriados mencionados no parágrafo anterior.
Conclusão: a cultura americana decaiu, e decaiu muito. Ao passo em que eles, os anglo-saxões, enriqueciam e estendiam seus tentáculos pelo mundo, sua cultura foi sendo lentamente dizimada, e hoje restou apenas a cultura Andy Warhol, cultura pop, cultura fragmentada, não agregativa, de fácil consumo e digestão, sem rodeios ou profundidade.
Filmes? Só com explosões, tiros, não-americanos malvados e/ou burros e/ou amigos dos americanos, que por sua vez, vivem heroica e altruísticamente salvando o mundo de si mesmo, de cataclismos geológicos ou de alienígenas insensíveis. Nem índios eles têm mais, já que eliminaram todos, nos filmes e na vida real. Os vilões são todos bem educadinhos, falam inglês shakespeareano, sejam estrangeiros ou extra-terrenos (aliás, não por coincidência, todos chamados de aliens). Sim, no atual embotamento mental americano estamos todos nós, o resto, os outros, o rebutalho, no mesmo saco: os cucarachas, os hispânicos, os europeus, os marcianos!
os chineses
Existe um estereótipo bastante comum no cinema, que remonta aos saudosos dias de outrora, no qual o chinês é sempre um velhaco ardiloso e traiçoeiro, de cavanhaque longo e robe de cetim, fumando ópio e imaginando meios maquiavélicos de obrar o mal. Sempre que o amigo do mocinho caia nas garras de uma quadrilha chinesa, a tortura clássica era deixá-lo amarrado debaixo de uma lenta goteira pingando pingo por pingo, no cucuruco, para enlouquecê-lo bem lentamente.
Vou terminar agora porque o trabalho me chama.
E porque estou ficando louco, lentamente, numa tortura chinesa.
Trabalho com um rouxinol assobiador!
Será que nosso Sozinho escrevinhador sobreviverá ao lento tormento do baleia-cantante? Será que nossa heroína Sozinha conseguirá regatar o Gelzinho das garras do mal?
Mais explicações no próximo capítulo do eletrizante blog: 2Sozinhos!
Não perca!!!
Nem sempre ir ao cinema foi uma experiência tão "científica", tão "futurista", como hoje em dia.
Hoje, não se vai simplesmente ao cinema. Não, de modo algum. Hoje, depois dos americanos dominarem o mundo e imporem em todo lugar a sua cultura de linha de montagem, tudo é igual, tudo tem a mesma cara, todos os atendentes sorriem o mesmo alvíssimo sorriso colgate, todas os bares servem pipoca gigante com coca-cola no balde, combinação caloricamente mortífera que os gringos nos adestram sutilmente a pedir pelo nome de combo, e até o cinema nem mais cinema é, é COMPLEXO! Ou Multiplex! Várias salinhas iguais, uma exatamente ao lado da outra, para rápido consumo. Nada de personalidade, nada de estilo, nada de diferenças. Não importa se você está em Istambul, em Marrakesh ou em Pequim. Tudo tem de parecer, mais que isso, SER igual. Ah, e pra ser um complexo decente, não esqueçam do McDonald's across the street! Oh yeah!
Lembro-me em parte de ouvir falar, em parte através de vagas e remotíssimas lembranças, da época em que os filmes eram mudos, em preto-e-branco, em todos os cinemas haviam baleiros circulando na sala de projeção, época em que tinhamos matinês aos domingos e as sessões costumavam incluir vários seriados em seqüência, onde a tônica era: "será que nosso herói escapará a tempo? não perca o próximo episódio de...".
Aqui há certamente uma aparente contradição. Nesta época, marcada pelos excelentes filmes da Vera Cruz, onde passeavam na telona nomes como Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, Dick Farney, também tinhamos as grandes produções musicais de hollywood, os filmes de caubói, e, um pouco anterior a isto, os seriados mencionados no parágrafo anterior.
Conclusão: a cultura americana decaiu, e decaiu muito. Ao passo em que eles, os anglo-saxões, enriqueciam e estendiam seus tentáculos pelo mundo, sua cultura foi sendo lentamente dizimada, e hoje restou apenas a cultura Andy Warhol, cultura pop, cultura fragmentada, não agregativa, de fácil consumo e digestão, sem rodeios ou profundidade.
Filmes? Só com explosões, tiros, não-americanos malvados e/ou burros e/ou amigos dos americanos, que por sua vez, vivem heroica e altruísticamente salvando o mundo de si mesmo, de cataclismos geológicos ou de alienígenas insensíveis. Nem índios eles têm mais, já que eliminaram todos, nos filmes e na vida real. Os vilões são todos bem educadinhos, falam inglês shakespeareano, sejam estrangeiros ou extra-terrenos (aliás, não por coincidência, todos chamados de aliens). Sim, no atual embotamento mental americano estamos todos nós, o resto, os outros, o rebutalho, no mesmo saco: os cucarachas, os hispânicos, os europeus, os marcianos!
os chineses
Existe um estereótipo bastante comum no cinema, que remonta aos saudosos dias de outrora, no qual o chinês é sempre um velhaco ardiloso e traiçoeiro, de cavanhaque longo e robe de cetim, fumando ópio e imaginando meios maquiavélicos de obrar o mal. Sempre que o amigo do mocinho caia nas garras de uma quadrilha chinesa, a tortura clássica era deixá-lo amarrado debaixo de uma lenta goteira pingando pingo por pingo, no cucuruco, para enlouquecê-lo bem lentamente.
Vou terminar agora porque o trabalho me chama.
E porque estou ficando louco, lentamente, numa tortura chinesa.
Trabalho com um rouxinol assobiador!
Será que nosso Sozinho escrevinhador sobreviverá ao lento tormento do baleia-cantante? Será que nossa heroína Sozinha conseguirá regatar o Gelzinho das garras do mal?
Mais explicações no próximo capítulo do eletrizante blog: 2Sozinhos!
Não perca!!!
Segunda-feira, Abril 14, 2003
Blog também é cultura. Após escrever, publicar e reler fui checar.
Lembrei-me do latim amicus. Achei a explicação abaixo:
"Íssimo forma o superlativo. Escreve-se com ss. As demais terminações não têm nada com ele. Amigo vem do latim amiCus. É daí que sai amiCíssimo."
Errar é humano. Consertar o erro nem tanto. Lembrei-me da citação abaixo:
"Posso fazer caca fedorenta, mas pelo menos depois espreio Bom Ar".
Lembrei-me do latim amicus. Achei a explicação abaixo:
"Íssimo forma o superlativo. Escreve-se com ss. As demais terminações não têm nada com ele. Amigo vem do latim amiCus. É daí que sai amiCíssimo."
Errar é humano. Consertar o erro nem tanto. Lembrei-me da citação abaixo:
"Posso fazer caca fedorenta, mas pelo menos depois espreio Bom Ar".
"Os números governam o mundo", disse o sábio Platão há muito tempo atrás. Platão era um cara bem legal, até gostava de mulher. Eu acho. Na verdade a vida sexual dos filósofos antigos não é muito divulgada, não por respeito auto-imposto pela comunidade pseudo-intelectual, que esta se amarra numa fofoca cabeluda (porque as fofocas são cabeludas?), mas antes porque a gente não sabe mesmo. Parece que os biógrafos e historiadores do mundo antigo achavam de bom tom não registrar as preferências dos semi-deuses por escrito. Mas também, naquela época, a sacanagem corria solta no Monte Olimpo, valendo incursõezinhas safadinhas no planeta Terra, porque afinal de contas até os deuses poderosos enjoam da rotina e gostam de variar de tempero. Talvez uma outra razão seja que muitos dos nomes do passado confundem-se com os mitos e a gente fica sem saber se o dito cujo existiu mesmo ou foi só uma obra de ficção de algum precursor de marketeiro. Mas falei em Platão e em números mas devia falar em Pitágoras. Foi na sua época que descobriu-se uma correlação entre os números e o mundo real. Reza a lenda, ou dizem os fatos, que Pitágoras, ao passar diante da casa de um ferreiro, notou os diferentes tons musicais que saiam da bigorna em resposta as diferentes posições atingidas pelo martelo do obreiro. Notou o nosso amigo que os tons "redondos", sem dissonância, que não agridem aos ouvidos, correspondiam a impactos na metade, em um quarto, em um oitavo, da extensão do metal. Legal, né? Nem precisa dizer que na Grécia antiga, assim como na Bahia moderna, o mundo espiritual e o físico se entrelaçavam numa boa, e daí surgiram os estudos que buscavam prever o futuro através do estudo dos números. Numerologia. A matemática era uma linguagem arcana que permitia ao mero homem mortal imiscuir-se nos assuntos divinos.
Mas toda essa enrolação foi para chegarmos no estudo das letras, ou das palavras, quando a elas se associam valores numéricos. Por isso vêm os Manés dizendo que você tem que grafar seu nome deste e daquele jeito, cada um mais bizarro que o outro. Vejam por exemplo a família de lutadores Gracie. É tudo com R. Rickson, Royce, Royler...Diz o velho lutador que R é letra forte. Pode ser, mas também não se consegue evitar soltar perdigotos ao pronunciar estes nomes em seqüência. Imagine numa festa você comendo farofa e eis que entram os três filhos do Hélio. Você, amissíssimo dos rapazes pit-boy, instintivamente ergue a voz, simultaneamente regurgitando a farinha, fazendo nevar nos outros convidados (imagine os erres sendo pronunciados incisivamente, por favor): "Rapazes, Rickson, Royce, Royler!"
No mundo da numerologia e da grafologia pode-se encontrar de tudo. De tudo mesmo!
"Oi Agda!"
"Oi ãe"
"Chama seus irmãos, a Aria, O Ario e o Auro e vamos almoçar"
......................................................
A que ponto chegamos. Um paulista que trabalha comigo mora num apart no Leblon. Outro dia jogaram uma bomba de fabricação caseira na sua garagem. A pergunta da semana foi: a quem quiseram atingir? Sim, porque embora todos os moradores sejam de classe alta todos são pacatos e incógnitos. Hoje, a resposta: o alvo era a agência da Caixa que fica ao lado do prédio. Então, o que houve, erro de balística? Será que o infame marginal, egresso das colinas cariocas, não considerou o efeito do componente do vetor velocidade no projetil por ele lançado do veículo em movimento? Ou estaria o terrorista dos trópicos enfrentando um crônico problema de córnea, que o faz, o coitado, embaralhar as coisas tal qual um bêbado tem a sua visão distorcida?
Não, nada mais simples: Na porta da agência bancária aglomerava-se, naquela noite, e de fato todas as noites, um grupo, um amálgama, uma trupe, de sem-teto, que adotou, ou melhor, que se apossaram, com a desenvoltura típica dos conquistadores, semelhantes a um Pizarro ou a um Colombo, da marquise do banco, e estabeleceram ali a sua moradia. Eis que o bandido, movido por profundos sentimentos humanitários, resolve preservar a integridade física de seus pares, lançados assim como ele na vida marginal pela imposição brutal da desigualdade econômica (escrevo assim porque espero apelar para as benesses da ilustre família Garotinho), e atira o sinistro petardo de encontro aos Audis e BMWs imundos dos cães imperialistas.
BUM!
Coube a dúvida: estaria já o banco contratando os mendigos para servirem de escudos humanos? Sim, porque mão de obra farta e barata não há de faltar...
Mas toda essa enrolação foi para chegarmos no estudo das letras, ou das palavras, quando a elas se associam valores numéricos. Por isso vêm os Manés dizendo que você tem que grafar seu nome deste e daquele jeito, cada um mais bizarro que o outro. Vejam por exemplo a família de lutadores Gracie. É tudo com R. Rickson, Royce, Royler...Diz o velho lutador que R é letra forte. Pode ser, mas também não se consegue evitar soltar perdigotos ao pronunciar estes nomes em seqüência. Imagine numa festa você comendo farofa e eis que entram os três filhos do Hélio. Você, amissíssimo dos rapazes pit-boy, instintivamente ergue a voz, simultaneamente regurgitando a farinha, fazendo nevar nos outros convidados (imagine os erres sendo pronunciados incisivamente, por favor): "Rapazes, Rickson, Royce, Royler!"
No mundo da numerologia e da grafologia pode-se encontrar de tudo. De tudo mesmo!
"Oi Agda!"
"Oi ãe"
"Chama seus irmãos, a Aria, O Ario e o Auro e vamos almoçar"
......................................................
A que ponto chegamos. Um paulista que trabalha comigo mora num apart no Leblon. Outro dia jogaram uma bomba de fabricação caseira na sua garagem. A pergunta da semana foi: a quem quiseram atingir? Sim, porque embora todos os moradores sejam de classe alta todos são pacatos e incógnitos. Hoje, a resposta: o alvo era a agência da Caixa que fica ao lado do prédio. Então, o que houve, erro de balística? Será que o infame marginal, egresso das colinas cariocas, não considerou o efeito do componente do vetor velocidade no projetil por ele lançado do veículo em movimento? Ou estaria o terrorista dos trópicos enfrentando um crônico problema de córnea, que o faz, o coitado, embaralhar as coisas tal qual um bêbado tem a sua visão distorcida?
Não, nada mais simples: Na porta da agência bancária aglomerava-se, naquela noite, e de fato todas as noites, um grupo, um amálgama, uma trupe, de sem-teto, que adotou, ou melhor, que se apossaram, com a desenvoltura típica dos conquistadores, semelhantes a um Pizarro ou a um Colombo, da marquise do banco, e estabeleceram ali a sua moradia. Eis que o bandido, movido por profundos sentimentos humanitários, resolve preservar a integridade física de seus pares, lançados assim como ele na vida marginal pela imposição brutal da desigualdade econômica (escrevo assim porque espero apelar para as benesses da ilustre família Garotinho), e atira o sinistro petardo de encontro aos Audis e BMWs imundos dos cães imperialistas.
BUM!
Coube a dúvida: estaria já o banco contratando os mendigos para servirem de escudos humanos? Sim, porque mão de obra farta e barata não há de faltar...
Quinta-feira, Abril 10, 2003
Algo incrível, estranho e aborígene aconteceu comigo. Estava eu no laboratório de informática da minha faculdade de terceiro mundo, há uma velocidade incrível de 2 bits por hora até que algo impossível aconteceu. Um homem lindo, loiro olhos verdes sentou ao meu lado. Calores pelo corpo, olhares subvertidos... Até que os estagiários resolveram nos expulsar do laboratório. Fiquei praticamente 2 minutos ao lado do bonitão e nem deu tempo de pensar em nada para iniciar uma conversa... Então, quis eu sair triunfalmente, em uma mistura doce de Adrey Hepburn em "Para sempre cinderela" e sensual como Rita Heiworth em "Gilda". Fui então, eu que estava bela naquele dia, com direito a escova no cabelo e tudo mais. Levantei-me balancei os cabelos e desfilei na frente do cara olhando fixo em seus olhos até a porta do laboratório, quando acidentalmente eu não vi o degrau e cai de perna aberta, arremessando a minha pasta a 3 kilomentros de distância. O arremesso foi básico, eu o fiz porque queria convidar em mãos aqueles que não viram o meu catastrófico tombo a ao menos participar de uma parte do mico, vendo-me estatelada ao chão, com as pernas abertas e calcinha a mercê dos olhos alheios. Terrível, terrível... Tanta intimidade com alguém que eu nem sei o nome...
Foi óbvio que eu levantei-me, peguei minhas coisas, abaixei a cabeça e atravessei todo o corredor do laboratório quietamente... Sem comentários adicionais por favor...
***
Se um sozinho odeia a rotina, 2 sozinhos também a odeia. É incrível como ela com sua incansável forma igual, nos entedia todos os dias. As vezes tenho a sensação que estou no filme de Chaplin, "Tempos modernos" e a qualquer horar irei surtas apertando os botoes das camisas das pessoas que passam pelas ruas...
Mas anteontem eu descobri um lugar para almoçar bem e baratinho. Foi como descobrir ouro! Bati um grande prato e fiquei feliz o dia todo com a minha única refeição. Ontem eu almocei por lá e hoje também. Não foi mais a mesma coisa. Parece que a comida mudou, ou fui eu que já enjoei. Três dias idênticos diga-se de passagem... E um tédio. Um tédio mortal!
Hoje tenho certeza da premissa de que quanto menos tempo temos mais ele nos é produtivo. Minha inércia tem me deixado irritada. Mas só hoje estou jogando tudo para o alto para me preocupar depois... Só hoje, ok?
***
Lendo a publicação do outro sozinho, entendi porque meu pai sempre reclamava quando eu pegava a sua lâmina de barbear. Prometo que não irei fazer mais isso... Porque vocês nunca nos explicaram antes? Seria tão mais fácil do que nos dar uma bronca...
Porém eu também tenho o que dizer de amigos, roomates, etc...
Você que é mulher, no meio da noite acorda com uma vontade estúpida de ir ao banheiro. Na verdade você encontra-se em um estado inconsciência móvel, ou seja você se movimenta pura e unicamente de forma instintiva sem a menor noção espaço temporal. Essa reação é normal ao ser humano para que quando você volte a cama consiga novamente dormir sem que novamente passe pelo o processo de "pegar no sono". Infelizmente, graças aos homens esse processo muitas vezes é interrompido. No seu estado de pseudo-sonambolismo você caminha paulatinamente até o banheiro, não acende a luz (pois iria ferir o seu estado e provavelmnte te acordaria), tira a roupa e... enconsta no vaso.
AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!! Como está gelada essa porcaria!
Pronto! Você acorda do seu transe no meio de um xixi e quando vai se limpar... Acabou o papel. Então, toda desajeitada tomando muito cuidado para não sujar o banheiro, você levanta alguns centímetros do vaso, acende a luz, contorce-se toda até o armário onde abre a embalagem do papel com suas vorazes unhas que custaram 10 reais na manicure, coloca o papel no rolinho, faz sua higene, voltando em seguida irritadíssima para a cama, pois nesse momento você já sabe que terá que novamente passar por todo o processo de "pegar no sono". A única coisa que você não espera nesse momento é ter que aturar um porco roncando em tons de ópera com qualidade Dolby Estéreo no volume máximo. Nessa hora o processo de dormir tornou-se praticamente impossível. E no dia seguinte você levanta cheia de olheiras e vê obrigada a gastar 50 reais em um creme anti-olheiras e 25 em um corretivo para as mesmas. Sem contar o mau-humor... Mas aí você diz que é TMP para encurtar a história...
Foi óbvio que eu levantei-me, peguei minhas coisas, abaixei a cabeça e atravessei todo o corredor do laboratório quietamente... Sem comentários adicionais por favor...
Se um sozinho odeia a rotina, 2 sozinhos também a odeia. É incrível como ela com sua incansável forma igual, nos entedia todos os dias. As vezes tenho a sensação que estou no filme de Chaplin, "Tempos modernos" e a qualquer horar irei surtas apertando os botoes das camisas das pessoas que passam pelas ruas...
Mas anteontem eu descobri um lugar para almoçar bem e baratinho. Foi como descobrir ouro! Bati um grande prato e fiquei feliz o dia todo com a minha única refeição. Ontem eu almocei por lá e hoje também. Não foi mais a mesma coisa. Parece que a comida mudou, ou fui eu que já enjoei. Três dias idênticos diga-se de passagem... E um tédio. Um tédio mortal!
Hoje tenho certeza da premissa de que quanto menos tempo temos mais ele nos é produtivo. Minha inércia tem me deixado irritada. Mas só hoje estou jogando tudo para o alto para me preocupar depois... Só hoje, ok?
Lendo a publicação do outro sozinho, entendi porque meu pai sempre reclamava quando eu pegava a sua lâmina de barbear. Prometo que não irei fazer mais isso... Porque vocês nunca nos explicaram antes? Seria tão mais fácil do que nos dar uma bronca...
Porém eu também tenho o que dizer de amigos, roomates, etc...
Você que é mulher, no meio da noite acorda com uma vontade estúpida de ir ao banheiro. Na verdade você encontra-se em um estado inconsciência móvel, ou seja você se movimenta pura e unicamente de forma instintiva sem a menor noção espaço temporal. Essa reação é normal ao ser humano para que quando você volte a cama consiga novamente dormir sem que novamente passe pelo o processo de "pegar no sono". Infelizmente, graças aos homens esse processo muitas vezes é interrompido. No seu estado de pseudo-sonambolismo você caminha paulatinamente até o banheiro, não acende a luz (pois iria ferir o seu estado e provavelmnte te acordaria), tira a roupa e... enconsta no vaso.
AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!! Como está gelada essa porcaria!
Pronto! Você acorda do seu transe no meio de um xixi e quando vai se limpar... Acabou o papel. Então, toda desajeitada tomando muito cuidado para não sujar o banheiro, você levanta alguns centímetros do vaso, acende a luz, contorce-se toda até o armário onde abre a embalagem do papel com suas vorazes unhas que custaram 10 reais na manicure, coloca o papel no rolinho, faz sua higene, voltando em seguida irritadíssima para a cama, pois nesse momento você já sabe que terá que novamente passar por todo o processo de "pegar no sono". A única coisa que você não espera nesse momento é ter que aturar um porco roncando em tons de ópera com qualidade Dolby Estéreo no volume máximo. Nessa hora o processo de dormir tornou-se praticamente impossível. E no dia seguinte você levanta cheia de olheiras e vê obrigada a gastar 50 reais em um creme anti-olheiras e 25 em um corretivo para as mesmas. Sem contar o mau-humor... Mas aí você diz que é TMP para encurtar a história...
Quarta-feira, Abril 09, 2003
Para os afoitos leitores de nosso site, em primeiríssima mão:
A INACREDITÁVEL LISTA DAS CANTADAS MAIS ABSURDAS E RIDÍCULAS DA TERRA!
- todas verdadeiras, porém ainda assim inacreditáveis -
polimento - o cara chega e já começa a dançar se esfregando.
úmida - o cara derrama um pouco da sua bebida na menina para chamar a atenção; alguns vão mais longe e vão ao ponto de perguntar algo do tipo: "e aí, tá molhadinha?"
ciranda-cirandinha - quando a menina está dançando com amiga(s), o cara chega e pra "se enturmar" entra na roda e começa a dançar com todas; se o cara for mais ousado ele dará a mão às duas ou a duas das meninas e dançará literalmente em roda.
vai que é tua Tafarel - geralmente em fim de noite, o cara já sai agarrando o braço da menina tentando puxá-la para um canto.
Wando - o cara vem pra náite de camisa brilhosa aberta até a altura do umbigo, e se aproxima da menina dançando de forma sedutora (?) fazendo caras e bocas.
totó - um complemento à cantada Wando, quando o cara ao se aproximar da menina vem fazendo sinal de "vem...vem..." com as mãos.
esmaga-pé - quando o cara se joga na frente da menina com o intuito de barrar-lhe a passagem; o nome da cantada vem do risco inerente ao pulo determinado que os caras já embriagados dão, já tendo acontecido de menina com sandália rasteira ter o pézinho pisoteado.
chupadinha - essa acontece quando cara se aproveita da menina que bebe de canudinho, chega junto e pergunta na lata "posso dar uma chupadinha?"; cuidado com o toco que você vai dar porque se a resposta for negativa o cara pode retrucar: "e na bebida?"
ibope - o cara mala já vem cheio de perguntas, querendo saber em dez minutos todos os seus dados pessoais; se você ignora suas perguntas insistentes ele pode vir com a frase: "você é mal educada e não vai dar o nome e/ou o telefone?". Melhor responder que sim, você é mal-educadíssima, e sair de perto.
do camelo - o cara pergunta "e aí, posso te levar para dar uma volta de camelo?". Controle-se e não retruque que não, você não acha justo montar na senhora sua mãe.
antimatéria - o cara, ignorando o princípio físico de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, vai se chegando, se chegando, até imprensar a menina contra a parede ou contra as pessoas ao redor, tirando-lhe toda a mobilidade e vindo mesmo a dificultar-lhe a respiração; o objetivo subjacente da sua cabeça doente é, que se ela se mexer, não haverá como não abraçá-lo, beijá-lo, apertá-lo, etc...
mudinho - o cara fica com um copo de bebida mão, parado ou balançando o corpo, te olhando fixamente, sem falar nada, por um período significativo de tempo. É um pouco difícil distinguir se o cara está "dando em cima" de você ou se é apenas um inocente budista em transe. Mas se for cantada não se preocupe porque ele esperará quietinho até que VOCÊ tome a iniciativa de qualquer coisa, incluindo virar-lhe as costas e ir embora.
patrulha rodoviária - esta exige o trabalho em equipe de dois homens. Um irá postar-se próximo ao outro e ficará como que guiando o tráfego: para TODA mulher que passar, sem distinções de credo, religião e espécie, apontará com a mão estendida e dedo indicador em riste a direção daquele que precisa encontrar seu par. Cuidado: nem sempre se uma mulher seguir as indicações será para falar com o "apontado"; pode ser pra dar porrada.
E então, você já foi vítima de alguma cantada ridiculamente inacreditável? Contribua entrando com seu comentário e atualizaremos a lista!
A INACREDITÁVEL LISTA DAS CANTADAS MAIS ABSURDAS E RIDÍCULAS DA TERRA!
- todas verdadeiras, porém ainda assim inacreditáveis -
polimento - o cara chega e já começa a dançar se esfregando.
úmida - o cara derrama um pouco da sua bebida na menina para chamar a atenção; alguns vão mais longe e vão ao ponto de perguntar algo do tipo: "e aí, tá molhadinha?"
ciranda-cirandinha - quando a menina está dançando com amiga(s), o cara chega e pra "se enturmar" entra na roda e começa a dançar com todas; se o cara for mais ousado ele dará a mão às duas ou a duas das meninas e dançará literalmente em roda.
vai que é tua Tafarel - geralmente em fim de noite, o cara já sai agarrando o braço da menina tentando puxá-la para um canto.
Wando - o cara vem pra náite de camisa brilhosa aberta até a altura do umbigo, e se aproxima da menina dançando de forma sedutora (?) fazendo caras e bocas.
totó - um complemento à cantada Wando, quando o cara ao se aproximar da menina vem fazendo sinal de "vem...vem..." com as mãos.
esmaga-pé - quando o cara se joga na frente da menina com o intuito de barrar-lhe a passagem; o nome da cantada vem do risco inerente ao pulo determinado que os caras já embriagados dão, já tendo acontecido de menina com sandália rasteira ter o pézinho pisoteado.
chupadinha - essa acontece quando cara se aproveita da menina que bebe de canudinho, chega junto e pergunta na lata "posso dar uma chupadinha?"; cuidado com o toco que você vai dar porque se a resposta for negativa o cara pode retrucar: "e na bebida?"
ibope - o cara mala já vem cheio de perguntas, querendo saber em dez minutos todos os seus dados pessoais; se você ignora suas perguntas insistentes ele pode vir com a frase: "você é mal educada e não vai dar o nome e/ou o telefone?". Melhor responder que sim, você é mal-educadíssima, e sair de perto.
do camelo - o cara pergunta "e aí, posso te levar para dar uma volta de camelo?". Controle-se e não retruque que não, você não acha justo montar na senhora sua mãe.
antimatéria - o cara, ignorando o princípio físico de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, vai se chegando, se chegando, até imprensar a menina contra a parede ou contra as pessoas ao redor, tirando-lhe toda a mobilidade e vindo mesmo a dificultar-lhe a respiração; o objetivo subjacente da sua cabeça doente é, que se ela se mexer, não haverá como não abraçá-lo, beijá-lo, apertá-lo, etc...
mudinho - o cara fica com um copo de bebida mão, parado ou balançando o corpo, te olhando fixamente, sem falar nada, por um período significativo de tempo. É um pouco difícil distinguir se o cara está "dando em cima" de você ou se é apenas um inocente budista em transe. Mas se for cantada não se preocupe porque ele esperará quietinho até que VOCÊ tome a iniciativa de qualquer coisa, incluindo virar-lhe as costas e ir embora.
patrulha rodoviária - esta exige o trabalho em equipe de dois homens. Um irá postar-se próximo ao outro e ficará como que guiando o tráfego: para TODA mulher que passar, sem distinções de credo, religião e espécie, apontará com a mão estendida e dedo indicador em riste a direção daquele que precisa encontrar seu par. Cuidado: nem sempre se uma mulher seguir as indicações será para falar com o "apontado"; pode ser pra dar porrada.
E então, você já foi vítima de alguma cantada ridiculamente inacreditável? Contribua entrando com seu comentário e atualizaremos a lista!
Tem coisas na vida da gente que são um saco! Coisas que se repetem todo santo dia e que nos fazem sentir ganas de chutar o balde, mandar todo o mundo "praquele" lugar e ir pra praia tostar no sol. E que se danem as responsabilidades cotidianas! Queremos...queremos, não, exigimos! Temos o direito sagrado e inalienável de tirarmos um dia de folga da civilização, um dia de recesso, um dia que mandaremos o mundo adulto e todas as suas convenções e regrinhas chatas catar coquinhos (bem longe, de preferência pegando a barca e indo lá pra Paquetá!) e vamos ser nós mesmos, sem máscaras, sem restrições, sem auto-controle e sem dar bolas para o que a consciência diz. Aliás, a consciência fala demais. Acho que deveríamos ter com alguma regularidade, talvez um dia por mês, em que pudéssemos deixar aflorar à superfície o nosso verdadeiro eu, aquele que não conhecemos bem, que vive aprisionado lá dentro de nós, aquele que nos assusta e que fingimos ignorar. Seria o dia da alforria do alter-ego. O dia do desbunde, do liberou-geral.
Esta revolta toda surgiu de manhã. Bem que o Chico Buarque canta: "Todo dia ela faz tudo igual, me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual, e me beija com a boca de hortelã...". As mulheres sempre estão se queixando de terem de raspar (ou rapar, só para ficar um pouquinho pedante) as pernas, os sovaquinhos (OK, vc venceu: axilas) e a virilhinha (ueba!) a cada, o que, quinze dias? Mas isso porque elas não fazem a mínima idéia do que seja ter que fazer a barda DIARIAMENTE, toda maldita ou bendita manhã, chova ou faça sol. Um saco! Se você tá atrasado, nada de cuidar só do básico, ou seja, uma sentadinha ligeira no potty (essa é pra ser realmente polido), um banhão revigorante, um desodorante, a penteada no cabelo (que nos homens não costuma estar presente em quantidades significativas) e rua! Não, você simplesmente não consegue sair do seu lar sem o ritual de lo habitual: primeiro meleque a sua cara inteira com gel de barbear, pra ficar com cara de papai Noel de barba branca. Depois, caso divida sua moradia com seres do sexo feminino, sempre (atenção, este passo é fundamental para o sucesso!), mas sempre mesmo, verifique se a lâmina de seu barbeador não foi usada para fins "alternativos", ou seja, na virilha ou no sovaco ou nas pernas de sua companheira, room-mate ou amiguinha. Cara, elas volta-e-meia fazem isso. Acreditem! Não sei que impulso malévolo e insidioso causa isso. Talvez seja o efeito das marés, da fase da lua, dos equinócios, das monções. De qualquer forma, é mais um mistério do universo feminino. Apenas mantenha esta informação em sua cabeça e fique atento. E verifique o raio da lâmina. Isto feito, comece a raspar a cara (gente, a cara! já pararam pra pensar nisso? a carinha que a mamãe tanto aprecia, as bochechas que a titia sempre belisca!) delicadamente, tendo o cuidado com a orientação da raspagem para não morrer degolado, e com as espinhas, pra que o sangue não comece a jorrar em jatos no espelho do banheiro, cena dantesca digna de um "Sexta-feira 13, parte 25" ou de um "Massacre da serra elétrica". Depois, pode acontecer, e quando acontece este momento é super "anti-estressante" quando você está atrasadíssimo para a reunião que decidirá os próximos cinco anos da sua vida com o dono da empresa, perca pelo menos dez minutos com pedacinhos de papel higiênico tentando estancar o sangue que escorre de todos os cortes que você deixou em seu rosto, que a esta altura parece um mapa-mundi esculpido em madeira, sendo que a madeira é a sua cara de pau. Aliás, mapa-mundi não, um mapa hidrográfico (saquei esta do fundo do baú, pois me lembrei dos trabalhos escolares do ginásio, se é que hoje em dia aquilo que eu estudei ainda é chamado de ginásio, época em que ainda não havia computador, escaner, impressora, internet....época de mapa-hidrográfico e trabalhos em papel manteiga! só leitores macróbios terão uma idéia do que estou falando...). Saia do banheiro, esculte as perguntas inevitáveis: "Se cortou?", "Isso é sangue?", respire fundo e controle o impulso de responder que não, você não se cortou, apenas vai encenar uma peça intitulada "A múmia ensangüentada" como parte do treinamento em administração no trabalho. Quando a sua cara começar a ressecar, coçar e arder, como se você tivesse lavado o rosto com piche quente, retorne ao lavabo ou equivalente e aplique generosamente porções gulosas de pós-barba, que o farão implorar silenciosamente por uma morte rápida nas mãos sequazes dos fanáticos seguidores de Saddam Hussein, pois pelo menos a dor será mais rápida. Importante: não dê urros hediondos pela casa e nem saia pulando que nem um epilético a beira da morte. Já houve casos de homens que escorregaram no sabonete e quebraram a bacia, adicionando apenas mais dor e sofrimento ao já pavoroso ritual, e quem tenha matado do coração parentes e vizinhos. Portanto, seja um cabra macho e agüente calado. Se não tiver ninguém olhando, mas certifique-se bem antes, pode deixar rolar uma ou duas lágrimas furtivas. Console sua auto-estima masculina racionalizando que as lágrimas servem ao menos para lubrificar os globos oculares. Vista sua camisa, e se manchar com sangue aqui vai uma dica preciosa: limpe com gelo! O gelo é um ótimo removedor de sangue. Só um problema: leva um tempão, além de levar seus dedos a ficarem roxos num estado próximo ao da gangrena. Novamente, se você está atrasado, provavelmente você apenas mentalizará uma sequência de palavrões e pensamentos profanos e jogará a camisa pela janela. Só para descobrir que as camisas limpas e passadas no armário não combinam com a roupa. No problem. Estoicamente troque a roupa toda e vá embora! Você agora é um homem barbeado e feliz!
Esta revolta toda surgiu de manhã. Bem que o Chico Buarque canta: "Todo dia ela faz tudo igual, me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual, e me beija com a boca de hortelã...". As mulheres sempre estão se queixando de terem de raspar (ou rapar, só para ficar um pouquinho pedante) as pernas, os sovaquinhos (OK, vc venceu: axilas) e a virilhinha (ueba!) a cada, o que, quinze dias? Mas isso porque elas não fazem a mínima idéia do que seja ter que fazer a barda DIARIAMENTE, toda maldita ou bendita manhã, chova ou faça sol. Um saco! Se você tá atrasado, nada de cuidar só do básico, ou seja, uma sentadinha ligeira no potty (essa é pra ser realmente polido), um banhão revigorante, um desodorante, a penteada no cabelo (que nos homens não costuma estar presente em quantidades significativas) e rua! Não, você simplesmente não consegue sair do seu lar sem o ritual de lo habitual: primeiro meleque a sua cara inteira com gel de barbear, pra ficar com cara de papai Noel de barba branca. Depois, caso divida sua moradia com seres do sexo feminino, sempre (atenção, este passo é fundamental para o sucesso!), mas sempre mesmo, verifique se a lâmina de seu barbeador não foi usada para fins "alternativos", ou seja, na virilha ou no sovaco ou nas pernas de sua companheira, room-mate ou amiguinha. Cara, elas volta-e-meia fazem isso. Acreditem! Não sei que impulso malévolo e insidioso causa isso. Talvez seja o efeito das marés, da fase da lua, dos equinócios, das monções. De qualquer forma, é mais um mistério do universo feminino. Apenas mantenha esta informação em sua cabeça e fique atento. E verifique o raio da lâmina. Isto feito, comece a raspar a cara (gente, a cara! já pararam pra pensar nisso? a carinha que a mamãe tanto aprecia, as bochechas que a titia sempre belisca!) delicadamente, tendo o cuidado com a orientação da raspagem para não morrer degolado, e com as espinhas, pra que o sangue não comece a jorrar em jatos no espelho do banheiro, cena dantesca digna de um "Sexta-feira 13, parte 25" ou de um "Massacre da serra elétrica". Depois, pode acontecer, e quando acontece este momento é super "anti-estressante" quando você está atrasadíssimo para a reunião que decidirá os próximos cinco anos da sua vida com o dono da empresa, perca pelo menos dez minutos com pedacinhos de papel higiênico tentando estancar o sangue que escorre de todos os cortes que você deixou em seu rosto, que a esta altura parece um mapa-mundi esculpido em madeira, sendo que a madeira é a sua cara de pau. Aliás, mapa-mundi não, um mapa hidrográfico (saquei esta do fundo do baú, pois me lembrei dos trabalhos escolares do ginásio, se é que hoje em dia aquilo que eu estudei ainda é chamado de ginásio, época em que ainda não havia computador, escaner, impressora, internet....época de mapa-hidrográfico e trabalhos em papel manteiga! só leitores macróbios terão uma idéia do que estou falando...). Saia do banheiro, esculte as perguntas inevitáveis: "Se cortou?", "Isso é sangue?", respire fundo e controle o impulso de responder que não, você não se cortou, apenas vai encenar uma peça intitulada "A múmia ensangüentada" como parte do treinamento em administração no trabalho. Quando a sua cara começar a ressecar, coçar e arder, como se você tivesse lavado o rosto com piche quente, retorne ao lavabo ou equivalente e aplique generosamente porções gulosas de pós-barba, que o farão implorar silenciosamente por uma morte rápida nas mãos sequazes dos fanáticos seguidores de Saddam Hussein, pois pelo menos a dor será mais rápida. Importante: não dê urros hediondos pela casa e nem saia pulando que nem um epilético a beira da morte. Já houve casos de homens que escorregaram no sabonete e quebraram a bacia, adicionando apenas mais dor e sofrimento ao já pavoroso ritual, e quem tenha matado do coração parentes e vizinhos. Portanto, seja um cabra macho e agüente calado. Se não tiver ninguém olhando, mas certifique-se bem antes, pode deixar rolar uma ou duas lágrimas furtivas. Console sua auto-estima masculina racionalizando que as lágrimas servem ao menos para lubrificar os globos oculares. Vista sua camisa, e se manchar com sangue aqui vai uma dica preciosa: limpe com gelo! O gelo é um ótimo removedor de sangue. Só um problema: leva um tempão, além de levar seus dedos a ficarem roxos num estado próximo ao da gangrena. Novamente, se você está atrasado, provavelmente você apenas mentalizará uma sequência de palavrões e pensamentos profanos e jogará a camisa pela janela. Só para descobrir que as camisas limpas e passadas no armário não combinam com a roupa. No problem. Estoicamente troque a roupa toda e vá embora! Você agora é um homem barbeado e feliz!
Terça-feira, Abril 08, 2003
Engraçado, entrei aqui para escrever e vi que a outra sozinha tava na área.
Hoje foi um daqueles dias que vim para o trabalho cheio de idéias. Cheguei cantando um trecho de uma musiquinha de um daqueles musicais antigos, acho que é do "Cantando na chuva", com Gene Kelly e Donal O'Connor: "Good Morning, Good Mo-orning!". Parecia até que tinha visto um passarinho azul (ou seria verde? tá aí uma questão para os amigos leitores ponderarem com calma: qual a cor do passarinho da felicidade?)
Na verdade o que eu vi foi um pacote de biscoito goiabinha. Sim, acho que todos nós temos aquelas lembranças que estão indissolutamente (uau!) associadas à nossa infância. Algumas memórias são visuais, outras táteis, umas olfativas, outras gastronômicas, e por aí vai....Uma coisa pessoal. No meu caso, o biscoito goiabinha é vagamente associado às sessões das tarde, vendo filmes tipo "A Fantástica Fábrica de Chocolate" ou "As sete faces do Doutor No" (No? Será que estou confundindo com o vilão do James Bond? De qualquer modo, creio que todos saberão a que filme me refiro), sentindo a proximidade e a proteção inigualáveis da Mãe (não tem igual), época em que uma das maiores preocupações da minha vida era juntar o quorum mínimo necessário para jogar futebol na praia. Passava na rua PENSANDO no biscoito goiabinha (sim, gente, não sou workaholic, penso em muitas coisas diferentes...), quando VI o biscoito goiabinha na prateleira do Paladino (lugar inusitado - logo vi que era coisa de destino, desígnio lá de cima). Não tive dúvidas e agia com a determinação de um imperador romano: Entrei, comprei e comi! Quisera eu ter esta mesma determinação em outras áreas de mi vida.
Pensei como sempre em roteiros, contos, histórias. projetos diversos. Colocá-los-ei algum dia no papel? Realizá-los-ei? (Essas perguntas de retórica deram-me uma oportunidade única e imperdível de abusar de próclises, mesóclises e outras idiossincrasias do riquíssimo idioma português!)
Meu sonho de virar ator é igual ao sonho de virar escritor e roteirista? Serão apenas sonhos? Vivê-los-ei? (ai, ai, ai...)
Portanto, como ator-principiante-galinha, darei mole de novo e com uma cara-de-pau indefectível já me ofereço para atuar na transposição para a grande tela do inédito e original roteiro "2Sozinhos". Inédito e Original, porque além de não estar publicado encontra-se não escrito. Tudo bem. Sou paciente e isto é apenas mais um dos percalços desta vida maledeta.
Recomendo ardentemente (esta declaração ficou mais que esquisita, ficou suspeita!) a leitura dos textos do Zuenir Ventura no site Portal Literal a respeito do passamento do Glauber Rocha para o reino dos céus. Imperdíveis.
E é só, Amiguinhos! That's all, folks!
(Este blog deve terminar com os leitores cantarolando mentalmente a melodia dos desenhos da Warner....)
Hoje foi um daqueles dias que vim para o trabalho cheio de idéias. Cheguei cantando um trecho de uma musiquinha de um daqueles musicais antigos, acho que é do "Cantando na chuva", com Gene Kelly e Donal O'Connor: "Good Morning, Good Mo-orning!". Parecia até que tinha visto um passarinho azul (ou seria verde? tá aí uma questão para os amigos leitores ponderarem com calma: qual a cor do passarinho da felicidade?)
Na verdade o que eu vi foi um pacote de biscoito goiabinha. Sim, acho que todos nós temos aquelas lembranças que estão indissolutamente (uau!) associadas à nossa infância. Algumas memórias são visuais, outras táteis, umas olfativas, outras gastronômicas, e por aí vai....Uma coisa pessoal. No meu caso, o biscoito goiabinha é vagamente associado às sessões das tarde, vendo filmes tipo "A Fantástica Fábrica de Chocolate" ou "As sete faces do Doutor No" (No? Será que estou confundindo com o vilão do James Bond? De qualquer modo, creio que todos saberão a que filme me refiro), sentindo a proximidade e a proteção inigualáveis da Mãe (não tem igual), época em que uma das maiores preocupações da minha vida era juntar o quorum mínimo necessário para jogar futebol na praia. Passava na rua PENSANDO no biscoito goiabinha (sim, gente, não sou workaholic, penso em muitas coisas diferentes...), quando VI o biscoito goiabinha na prateleira do Paladino (lugar inusitado - logo vi que era coisa de destino, desígnio lá de cima). Não tive dúvidas e agia com a determinação de um imperador romano: Entrei, comprei e comi! Quisera eu ter esta mesma determinação em outras áreas de mi vida.
Pensei como sempre em roteiros, contos, histórias. projetos diversos. Colocá-los-ei algum dia no papel? Realizá-los-ei? (Essas perguntas de retórica deram-me uma oportunidade única e imperdível de abusar de próclises, mesóclises e outras idiossincrasias do riquíssimo idioma português!)
Meu sonho de virar ator é igual ao sonho de virar escritor e roteirista? Serão apenas sonhos? Vivê-los-ei? (ai, ai, ai...)
Portanto, como ator-principiante-galinha, darei mole de novo e com uma cara-de-pau indefectível já me ofereço para atuar na transposição para a grande tela do inédito e original roteiro "2Sozinhos". Inédito e Original, porque além de não estar publicado encontra-se não escrito. Tudo bem. Sou paciente e isto é apenas mais um dos percalços desta vida maledeta.
Recomendo ardentemente (esta declaração ficou mais que esquisita, ficou suspeita!) a leitura dos textos do Zuenir Ventura no site Portal Literal a respeito do passamento do Glauber Rocha para o reino dos céus. Imperdíveis.
E é só, Amiguinhos! That's all, folks!
(Este blog deve terminar com os leitores cantarolando mentalmente a melodia dos desenhos da Warner....)
Segunda-feira, Abril 07, 2003
Tive uma interessante idéia para um filme comercial, ao qual não irei revelar...
O mais legal de tudo é que o nome do filme seria... 2Sozinhos!!!
O mais legal de tudo é que o nome do filme seria... 2Sozinhos!!!
Sexta-feira, Abril 04, 2003
Uma carta de amor às mulheres
Estou realmente pasmo com o fato de as mulheres não terem consciência de como elas são cativantes e sedutoras nas menores coisas do seu dia-a-dia. Isto não é uma coisa de agora. É uma coisa que sempre me surpreendeu. Ou será que eu é que sou tarado demais e não tenho coragem de admitir ou não tenho a necessária clarividência para entender?
Claro que existe uma diferença bem nítida daquele charme proposital, que elas jogam com endereço certo pra cima da gente, e o charme expontâneo que delas emana naturalmente.
Quando elas resolvem usar suas armas, e quando o fazem muito bem feito, nós, indefesos homens, somos pegos de calças curtas, literal ou simbolicamente, e o poder da fêmea se sobrepõe de uma forma esmagadora. Mesmo sabendo que o copo contém cicuta, acabamos bebendo. Somos iguais às mariposas atraídas pela luz.
Mas quando elas agem no seu modo mais expontâneo, mais simples, inconscientemente, aí, meu amigo, sai de baixo.
O jeito da mulher se vestir é uma coisa que me encanta profundamente. Vejo mulheres na rua, que se vestem com vestidinhos básicos, saltinhos, com suas bolsas combinando, cabelos presos, nucas à mostra, brincos grandes, alcinhas....ai, ai, ai.....as alcinhas dos vestidos, alcinhas das blusinhas....Elas não fazem nada. Só estão lá, vivendo, andando, sentadas no ônibus ou no metrô, às vezes entediadas, caras de cansaço...Não importa....São todas tão lindas, tão preciosas....
Já li em algum lugar que a Natureza, com n maiúsculo, essa entidade invisível criada pelo darwinismo, fez com que os animais, aqui incluídos os seres humanos, tivessem suas crias com características tais que gerassem em sua ascendência direta o desejo de protegê-los, que disparasse neles um amor incondicional e imensurável, que garantisse às futuras gerações as condições mínimas que assegurassem a perpetuação da espécie. Por isso os bebês, nossos bebês, teriam caras redondas, fariam ruídos engraçados, teriam cabeças maiores do que a proporção correta com o resto do corpo, cheirassem como bebês, etc.
Para mim, com as mulheres ocorre a mesma coisa. A Natureza, Deus, Alá, Jeová, Krishna, alguém, enfim, determinou que elas seriam assim, desde modo transcedentalmente feminino e sedutor. Que cheirassem bem o dia inteiro, mesmo quando transpirassem. Que tivessem maior flexibilidade e curvas, se movessem com um certo vagar, que fossem mais vaidosas que os homens, que quebrassem mais suas mãos quando falassem, que tivessem a voz mais fina.
Tudo parte de uma grande Conspiração Cósmica, que garantisse a perpetuação da espécie humana.
Li também um dia que a Terra, ou Gaia, estaria aqui por uma período de tempo muitissimamente maior que o tempo previsto para a estada da espécie humana, levando em conta ou não as insanidades guerreiras e poluidoras com as quais estas criaturinhas de carbono e água desperdiçam suas energias vitais. Na luta pela sobrevivência, instintiva, não racionalizada, homens e mulheres lutam para disseminar seus genes, seu código genético, e, deste modo, garantir uma forma de imortalidade, qual seja a de que o trecho da história da vida que está gravado na dupla hélice de DNA no seu corpo seja passado adiante.
Num mundo repleto de mirabolantes Teorias da Conspiração esta me parece ser uma verdade inconteste. Algo nos empurra ao amor, ao acasalamento, ao partilhar, ao se doar. Queremos estar aqui, amanhã e depois, se não fisicamente, pelo menos em parte. Se não formos um livro inteiro, na forma do corpo que habitamos hoje, pelo menos que numa única e particular frase, num trechinho só, só nosso, peculiar e privativo, numa combinação característica de proteínas básicas.
E neste grande quadro, misteriosamente pintado por mãos invisíveis, entram as mulheres e suas armas, seus Tomahawks de sedução. Não precisam nem mesmo disparar as armas. Basta exibi-las. Basta termos consciência de que elas existem.
Coxas, pés, braços, alcinhas, presilhas de cabelo, batons, maquiagens, saltos, vestidos curtos, tomaras-que-caia...
Skuds, Kalashnikovs, Tomahawks, B-52s, tanques Abrahams, aviões Stealth...
Os homens até impõe uma certa resistência, valorosa e desesperada, sempre sabendo da derrota iminente.
Acho que ando um pouco como "O homem que amava as mulheres" ou como "Dom Juan de Marco".
Estou prestes a me render para colocar-me incondicionalmente nas mãos do inimigo.
Estou realmente pasmo com o fato de as mulheres não terem consciência de como elas são cativantes e sedutoras nas menores coisas do seu dia-a-dia. Isto não é uma coisa de agora. É uma coisa que sempre me surpreendeu. Ou será que eu é que sou tarado demais e não tenho coragem de admitir ou não tenho a necessária clarividência para entender?
Claro que existe uma diferença bem nítida daquele charme proposital, que elas jogam com endereço certo pra cima da gente, e o charme expontâneo que delas emana naturalmente.
Quando elas resolvem usar suas armas, e quando o fazem muito bem feito, nós, indefesos homens, somos pegos de calças curtas, literal ou simbolicamente, e o poder da fêmea se sobrepõe de uma forma esmagadora. Mesmo sabendo que o copo contém cicuta, acabamos bebendo. Somos iguais às mariposas atraídas pela luz.
Mas quando elas agem no seu modo mais expontâneo, mais simples, inconscientemente, aí, meu amigo, sai de baixo.
O jeito da mulher se vestir é uma coisa que me encanta profundamente. Vejo mulheres na rua, que se vestem com vestidinhos básicos, saltinhos, com suas bolsas combinando, cabelos presos, nucas à mostra, brincos grandes, alcinhas....ai, ai, ai.....as alcinhas dos vestidos, alcinhas das blusinhas....Elas não fazem nada. Só estão lá, vivendo, andando, sentadas no ônibus ou no metrô, às vezes entediadas, caras de cansaço...Não importa....São todas tão lindas, tão preciosas....
Já li em algum lugar que a Natureza, com n maiúsculo, essa entidade invisível criada pelo darwinismo, fez com que os animais, aqui incluídos os seres humanos, tivessem suas crias com características tais que gerassem em sua ascendência direta o desejo de protegê-los, que disparasse neles um amor incondicional e imensurável, que garantisse às futuras gerações as condições mínimas que assegurassem a perpetuação da espécie. Por isso os bebês, nossos bebês, teriam caras redondas, fariam ruídos engraçados, teriam cabeças maiores do que a proporção correta com o resto do corpo, cheirassem como bebês, etc.
Para mim, com as mulheres ocorre a mesma coisa. A Natureza, Deus, Alá, Jeová, Krishna, alguém, enfim, determinou que elas seriam assim, desde modo transcedentalmente feminino e sedutor. Que cheirassem bem o dia inteiro, mesmo quando transpirassem. Que tivessem maior flexibilidade e curvas, se movessem com um certo vagar, que fossem mais vaidosas que os homens, que quebrassem mais suas mãos quando falassem, que tivessem a voz mais fina.
Tudo parte de uma grande Conspiração Cósmica, que garantisse a perpetuação da espécie humana.
Li também um dia que a Terra, ou Gaia, estaria aqui por uma período de tempo muitissimamente maior que o tempo previsto para a estada da espécie humana, levando em conta ou não as insanidades guerreiras e poluidoras com as quais estas criaturinhas de carbono e água desperdiçam suas energias vitais. Na luta pela sobrevivência, instintiva, não racionalizada, homens e mulheres lutam para disseminar seus genes, seu código genético, e, deste modo, garantir uma forma de imortalidade, qual seja a de que o trecho da história da vida que está gravado na dupla hélice de DNA no seu corpo seja passado adiante.
Num mundo repleto de mirabolantes Teorias da Conspiração esta me parece ser uma verdade inconteste. Algo nos empurra ao amor, ao acasalamento, ao partilhar, ao se doar. Queremos estar aqui, amanhã e depois, se não fisicamente, pelo menos em parte. Se não formos um livro inteiro, na forma do corpo que habitamos hoje, pelo menos que numa única e particular frase, num trechinho só, só nosso, peculiar e privativo, numa combinação característica de proteínas básicas.
E neste grande quadro, misteriosamente pintado por mãos invisíveis, entram as mulheres e suas armas, seus Tomahawks de sedução. Não precisam nem mesmo disparar as armas. Basta exibi-las. Basta termos consciência de que elas existem.
Coxas, pés, braços, alcinhas, presilhas de cabelo, batons, maquiagens, saltos, vestidos curtos, tomaras-que-caia...
Skuds, Kalashnikovs, Tomahawks, B-52s, tanques Abrahams, aviões Stealth...
Os homens até impõe uma certa resistência, valorosa e desesperada, sempre sabendo da derrota iminente.
Acho que ando um pouco como "O homem que amava as mulheres" ou como "Dom Juan de Marco".
Estou prestes a me render para colocar-me incondicionalmente nas mãos do inimigo.
Quinta-feira, Abril 03, 2003
Uma tristeza cerca meus meu estado de espírito. Muitas coisas aconteceram comigo nesses últimos meses e esse freio na loucura e caos urbano me caiu bem por um semana. Mas foi só. Agora que a estafa passou sinto-me um tanto quanto hermitã ao mundo. Sinto-me sozinha novamente a trilhar por caminhos desconhecidos. Procurar novamente e começar tudo do zero. Apesar de minha pouca idade sinto-me cansada dessa jornada. Queria eu poder dar-me ao luxo de apenas estudar. Eu adoro fazê-lo, principalmente o que ando estudando... Mas nada pode ser tão fácil, não? E para manter essa paixão viva, acesa preciso fazer sacrifícios homéricos. Estou cansada. Meu corpo mostra-se estafado. Meus neuronios apagados. Queria por minutos ter paz e livrar-me de preocupações tolas.
Eu sei que todos nós temos problemas. Mas acho que essa paixão pelo que estudo causa-me problemas demais. As vezes fico eu indagando se não seria mais fácil consolar-me com a vida bucólica do interior... Trabalhar menos, viver melhor, sem contas e mais outras coisas a pensar. E de novo teria minha liberdade presa em um frasco de jasmim. Respirando um ar viciado e sufocando-me com a asma comum.
De novo não!!!
Eu sei que todos nós temos problemas. Mas acho que essa paixão pelo que estudo causa-me problemas demais. As vezes fico eu indagando se não seria mais fácil consolar-me com a vida bucólica do interior... Trabalhar menos, viver melhor, sem contas e mais outras coisas a pensar. E de novo teria minha liberdade presa em um frasco de jasmim. Respirando um ar viciado e sufocando-me com a asma comum.
De novo não!!!
Gente, gente!!!
Bomba, Bomba!!!
Uma amiga que prefere se manter no anonimato acaba de ser picada pelo mosquito literário....
Vejam só que arroubo poético:
Felicidade
O que é?
Momento, conjunto de momentos, uma vida..
Vida cheia de momentos.
Vida cheia de vida.
Morte em plena vida, por vários momentos.
Morte, renascimento.
Nascer novamente para um momento novo, para se fazer um momento novo.
Fazer o momento, lutar, viver com intensidade, não se deixar morrer.
Amar, viver os momentos, renascer, lutar.
Sou feliz
Sou feliz porque vivo, renasço a cada dia
Vivo cada momento como se fosse o último
Luto, enfrento, choro, rio
Caio e levanto
E amo.
Bomba, Bomba!!!
Uma amiga que prefere se manter no anonimato acaba de ser picada pelo mosquito literário....
Vejam só que arroubo poético:
Felicidade
O que é?
Momento, conjunto de momentos, uma vida..
Vida cheia de momentos.
Vida cheia de vida.
Morte em plena vida, por vários momentos.
Morte, renascimento.
Nascer novamente para um momento novo, para se fazer um momento novo.
Fazer o momento, lutar, viver com intensidade, não se deixar morrer.
Amar, viver os momentos, renascer, lutar.
Sou feliz
Sou feliz porque vivo, renasço a cada dia
Vivo cada momento como se fosse o último
Luto, enfrento, choro, rio
Caio e levanto
E amo.
Terça-feira, Abril 01, 2003
Gente, olha só que coisa mais linda que eu recebi hoje!
Não vou dizer quem foi. darei apenas uma dica: foi uma pessoa muito especial...
Três Coisas
De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando ...
A certeza de que é preciso continuar ...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar ...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo ...
Da queda um passo de dança ...
Do medo, uma escada ...
Do sonho, uma ponte ...
Da procura, um encontro ...
(Fernando Pessoa)
Se eu disser: "Hoje o blog estará mais literário do que nunca!" alguém da Banda A ou da Tribo certamente se levantará e dirá: "Aí, fala sério!"
Desculpem o petropolinês, mas já que a crônica que segue abaixo tem endereço certo, a sozinha dos 2sozinhoS, fica aqui o gesto carinhoso de iniciar falando no seu idioma nativo. O texto abaixo é de um cara com nome engraçado que é indicado pelo Veríssimo no Portal Literal. Eu, pessoalmente, achei que falta algo em estilo. Quem sou eu pra julgar? E quem manda ser apadrinhado logo pelo Veríssimo? A gente fica logo esperando um semi-deus das letras. No entanto, o conteúdo dá o que pensar pra quem aspira trilhar o duro ofício de escrever. Não que eu queira desanimá-la, ao contrário. O texto apenas realça que o caminho é sinuoso e cheio de obstáculos mas traz enorme realização a quem nele persevera. Aliás, como tudo na vida.
Leia-o, julgue-o e depois, sei lá, faça o que estiver a fim de fazer...
P.S.: Não é deprimente quando alguém escreve afim para dizer que está a fim?
P.S.S: Quem aspira aspira a alguma coisa ou aspira alguma coisa?
O manual prático do escritor (crônica) - por Ernani Ssó, escrito gaúcho
Quantos conselhos sérios pode se dar a um candidato a escritor? Um, segundo Dalton Trevisan. Aos jovens, ele recomenda: tenham talento. Quer dizer, nenhum, porque isso é o mesmo que recomendar que tenham olhos azuis e um metro e oitenta. Trevisan, como os bogartianos, acha que ninguém salva ninguém, ninguém educa ninguém e todos se perdem sozinhos.
Eu sou bogartiano até no sorriso torto, mas hoje acordei uma manteiga derretida e didático ainda por cima. Depois de umas contas, cheguei a três conselhos pra valer: seja amigo do editor, seja amigo dos críticos e escreva no mínimo em espaço dois, para que as correções não fiquem apertadas. Vamos levar o pragmatismo até seu lógico ou cínico fim? Esqueça o espaço dois, ou você ainda não usa computador? Depois, se você for amigo do editor e dos críticos, não precisa se preocupar com correção nenhuma.
Caso não consiga ser amigo de nenhum editor, tente a mulher, a irmã ou a mãe dele. Não deu? Ainda resta uma alternativa: você mesmo ser editor. Álvaro Pacheco, por exemplo, publicou toda a poesia do Álvaro Pacheco. Melhor: deve ter arrumado um monte de amigos.
Quanto à amizade dos críticos é mais problemático. Não é que eles sejam imunes ao afeto. O difícil é localizar um crítico. É preciso muita argúcia, muita paciência. Muitos escritores morrem antes de encontrar um crítico. Em caso de desespero, contrate um detetive. Bechara Jalk continua na ativa.
Mas para que um crítico? Sim, você deseja ser compreendido. É. Isso é humano. O perigo é que o crítico o compreenda mesmo. Muitos críticos morrem antes de encontrar um escritor.
Esqueça os críticos. Procure os jornalistas. Eles trabalham demais e ganham de menos, como quase todo mundo. Você entrega um bom release e eles copiam, economizando tempo e inimigos. Assim todos ficam satisfeitos.
Outra coisa: nunca cobre o que o editor deve a você. Afinal, não é um amigo do peito? Fica chato andar cobrando os amigos.
Mas se você é desses que acham que apenas prestígio não enche barriga, só há uma coisa a fazer: tornar o editor refém da sua amizade. Isso é fácil de conseguir: escreva um best-seller atrás do outro.
Não precisa se alarmar. Escrever um best-seller atrás do outro também é fácil. Veja: primeiro, você escreve um best-seller. Em seguida, outro. Depois, mais outro e assim su-ces-si-va-men-te. Pegou? Georges Simenon, que escrevia um best-seller em dez dias - uma vez em três e uma em apenas um dia -, nunca teve problemas com seus editores. Podia inclusive dizer na cara deles o que pensava, ou mandar se dedicarem à agricultura, como plantar batatas.
Eu podia continuar por duas ou três páginas. Como se viu, meu talento para o magistério é um fato. Mas paro por um motivo simples: no fundo, acho que só há um conselho verdadeiro a ser dado aos candidatos à literatura: desistam! Isso mesmo, seus trouxas! Desistam! Vão encher outro!
Tenho até nojo quando vejo um escritor se queixando de falta de estímulo, de compreensão. Há estímulo demais, há compreensão demais. Oitenta por cento da humanidade é de tias. É preciso dar um basta em tanto estímulo, tanta compreensão, tantos tapinhas no ombro, tantas tias de todos os sexos! Não há cidade que não tenha no mínimo dez nulidades com cem incensadores atrás.
Literatura é um inferno, meu nego. É um negócio solitário. Qualquer seboso que aparece na televisão pega muito mais mulher do que qualquer escritor. Qualquer imbecil que rimar bucha com Xuxa, ou pirão com trovão, grava um disco e ganha mais. Pra completar, escrever arrebenta com a coluna da gente. É pouco? Sabe quantos candidatos à literatura surgem toda semana em todo o mundo? Milhares! Bota milhares nisso. Desses, uma meia dúzia dará sorte. Se você pensa que será um deles, me desculpe, mas você não pensa. Vá jogar na loteria.
Agora, se depois de tudo, você ainda não conseguiu parar de escrever, eu me rendo. Se a literatura encarnou em você como uma sarna braba, como rabicho de mulher da vida, não há nada a fazer. Desista de lutar contra. Tente se administrar da melhor forma possível. Vai ver, é uma coisa fundamental para você. Pode não ser para mais ninguém, mas e daí? Em meio ao cenário de terror, você até descobrirá que a literatura pode ser um prazer, uma alegria. Enfim, se você não tem como escapar dela, ainda há um último conselho possível: reze. E, como acrescentaria Mario Quintana, por favor não venha me mostrar.
Não vou dizer quem foi. darei apenas uma dica: foi uma pessoa muito especial...
Três Coisas
De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando ...
A certeza de que é preciso continuar ...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar ...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo ...
Da queda um passo de dança ...
Do medo, uma escada ...
Do sonho, uma ponte ...
Da procura, um encontro ...
(Fernando Pessoa)
Se eu disser: "Hoje o blog estará mais literário do que nunca!" alguém da Banda A ou da Tribo certamente se levantará e dirá: "Aí, fala sério!"
Desculpem o petropolinês, mas já que a crônica que segue abaixo tem endereço certo, a sozinha dos 2sozinhoS, fica aqui o gesto carinhoso de iniciar falando no seu idioma nativo. O texto abaixo é de um cara com nome engraçado que é indicado pelo Veríssimo no Portal Literal. Eu, pessoalmente, achei que falta algo em estilo. Quem sou eu pra julgar? E quem manda ser apadrinhado logo pelo Veríssimo? A gente fica logo esperando um semi-deus das letras. No entanto, o conteúdo dá o que pensar pra quem aspira trilhar o duro ofício de escrever. Não que eu queira desanimá-la, ao contrário. O texto apenas realça que o caminho é sinuoso e cheio de obstáculos mas traz enorme realização a quem nele persevera. Aliás, como tudo na vida.
Leia-o, julgue-o e depois, sei lá, faça o que estiver a fim de fazer...
P.S.: Não é deprimente quando alguém escreve afim para dizer que está a fim?
P.S.S: Quem aspira aspira a alguma coisa ou aspira alguma coisa?
O manual prático do escritor (crônica) - por Ernani Ssó, escrito gaúcho
Quantos conselhos sérios pode se dar a um candidato a escritor? Um, segundo Dalton Trevisan. Aos jovens, ele recomenda: tenham talento. Quer dizer, nenhum, porque isso é o mesmo que recomendar que tenham olhos azuis e um metro e oitenta. Trevisan, como os bogartianos, acha que ninguém salva ninguém, ninguém educa ninguém e todos se perdem sozinhos.
Eu sou bogartiano até no sorriso torto, mas hoje acordei uma manteiga derretida e didático ainda por cima. Depois de umas contas, cheguei a três conselhos pra valer: seja amigo do editor, seja amigo dos críticos e escreva no mínimo em espaço dois, para que as correções não fiquem apertadas. Vamos levar o pragmatismo até seu lógico ou cínico fim? Esqueça o espaço dois, ou você ainda não usa computador? Depois, se você for amigo do editor e dos críticos, não precisa se preocupar com correção nenhuma.
Caso não consiga ser amigo de nenhum editor, tente a mulher, a irmã ou a mãe dele. Não deu? Ainda resta uma alternativa: você mesmo ser editor. Álvaro Pacheco, por exemplo, publicou toda a poesia do Álvaro Pacheco. Melhor: deve ter arrumado um monte de amigos.
Quanto à amizade dos críticos é mais problemático. Não é que eles sejam imunes ao afeto. O difícil é localizar um crítico. É preciso muita argúcia, muita paciência. Muitos escritores morrem antes de encontrar um crítico. Em caso de desespero, contrate um detetive. Bechara Jalk continua na ativa.
Mas para que um crítico? Sim, você deseja ser compreendido. É. Isso é humano. O perigo é que o crítico o compreenda mesmo. Muitos críticos morrem antes de encontrar um escritor.
Esqueça os críticos. Procure os jornalistas. Eles trabalham demais e ganham de menos, como quase todo mundo. Você entrega um bom release e eles copiam, economizando tempo e inimigos. Assim todos ficam satisfeitos.
Outra coisa: nunca cobre o que o editor deve a você. Afinal, não é um amigo do peito? Fica chato andar cobrando os amigos.
Mas se você é desses que acham que apenas prestígio não enche barriga, só há uma coisa a fazer: tornar o editor refém da sua amizade. Isso é fácil de conseguir: escreva um best-seller atrás do outro.
Não precisa se alarmar. Escrever um best-seller atrás do outro também é fácil. Veja: primeiro, você escreve um best-seller. Em seguida, outro. Depois, mais outro e assim su-ces-si-va-men-te. Pegou? Georges Simenon, que escrevia um best-seller em dez dias - uma vez em três e uma em apenas um dia -, nunca teve problemas com seus editores. Podia inclusive dizer na cara deles o que pensava, ou mandar se dedicarem à agricultura, como plantar batatas.
Eu podia continuar por duas ou três páginas. Como se viu, meu talento para o magistério é um fato. Mas paro por um motivo simples: no fundo, acho que só há um conselho verdadeiro a ser dado aos candidatos à literatura: desistam! Isso mesmo, seus trouxas! Desistam! Vão encher outro!
Tenho até nojo quando vejo um escritor se queixando de falta de estímulo, de compreensão. Há estímulo demais, há compreensão demais. Oitenta por cento da humanidade é de tias. É preciso dar um basta em tanto estímulo, tanta compreensão, tantos tapinhas no ombro, tantas tias de todos os sexos! Não há cidade que não tenha no mínimo dez nulidades com cem incensadores atrás.
Literatura é um inferno, meu nego. É um negócio solitário. Qualquer seboso que aparece na televisão pega muito mais mulher do que qualquer escritor. Qualquer imbecil que rimar bucha com Xuxa, ou pirão com trovão, grava um disco e ganha mais. Pra completar, escrever arrebenta com a coluna da gente. É pouco? Sabe quantos candidatos à literatura surgem toda semana em todo o mundo? Milhares! Bota milhares nisso. Desses, uma meia dúzia dará sorte. Se você pensa que será um deles, me desculpe, mas você não pensa. Vá jogar na loteria.
Agora, se depois de tudo, você ainda não conseguiu parar de escrever, eu me rendo. Se a literatura encarnou em você como uma sarna braba, como rabicho de mulher da vida, não há nada a fazer. Desista de lutar contra. Tente se administrar da melhor forma possível. Vai ver, é uma coisa fundamental para você. Pode não ser para mais ninguém, mas e daí? Em meio ao cenário de terror, você até descobrirá que a literatura pode ser um prazer, uma alegria. Enfim, se você não tem como escapar dela, ainda há um último conselho possível: reze. E, como acrescentaria Mario Quintana, por favor não venha me mostrar.
