Decidi escrever um pouco sobre o processo de roteirizar. Consequentemente falarei também de processos psicanalíticos e resgates de memória e assim economizo na terapia. :)
Pois bem, minha grande amiga Gi leu o meu roteiro. Seus principais comentários foram:
1. Você pode melhorar suas passagens de tempo (sequencia do estacionamento na praia).
2. Seu corte de personagem está sem sentido. Quem é Núbia? De onde ela vem? Ela simplesmente surge?
3. Sua personagem é arrogante e preconceituosa. (Sequencia da crítica a bulimia).
E lá vem novamente a síndrome do papel branco... :)
Pois bem, minha análise em cima de sua análise. Concordo com o item 1, embora eu ache que o artifício de exibir somente a hora numa cartela resolva o problema. A intenção é fazer pequenas críticas ao caos que é viver no Rio de Janeiro, mas não vou ficar me alongando com discursos e grandes situações. São coisas pontuais mesmo. Talvez eu modifique, talvez não. Sugestão anotada.
2. O corte de personagem foi proposital. É de minha intenção que o Felipe esteja num momento, passe por uma decepção amorosa e no segundo seguinte aparece com outra mulher. Simples assim. É para se ter um estranhamento. Ele não estava com uma dor de cotovelo absurda há exatos dois segundos atrás? E após a cena decorrer é que você vai perceber que mais de quatro anos se passaram... Então... Deixa assim.
3. Agora a pior crítica. "Sua personagem é preconceituosa". Ela não está falando de uma personagem qualquer. Ela está falando da Bia, minha protagonista, a narradora da história. "E ninguém gosta de preconceito", em outras palavras, ninguém vai gostar do seu filme porque a sua narradora é antipática. Pois bem... Narradores são alter-egos de seus escritores. Não necessariamente somos nós mesmos, mas são imagens, representações de nossas perspectivas. Acusar um narrador assim, cruamente (e porque não cruelmente?) é quase um ataque pessoal. Doeu. Sempre doi. Escrever é um ato mais doloroso que o parto. Mexe com emoções, sentimentos, saudades. Coisas que por muitas vezes queremos deixar guardadinho lá no fundo de nossas almas, mas que para de fato construir, precisamos revirar. E é esse o processo que é claustrofóbico, angustiante. Sofro da agonia da criação, da agonia de revirar memórias em prol da construção da criação de algo. É quase uma terapia do medo.
Dói. E nós escritores somos sensíveis, presos nesse mundo imaginário que é libertário e aterrorisantemente aprisionador. Doeu. Doeu em saber que eu mesma sou arrogante assim, preconceituosa assim. Vivo num mundo meu, autista que não consegue entender essa motivação do "perfeito", do "belo", da imagem. Ainda vivo num mundo de idéias, das palavras, dos sentidos. E eu sou a preconceituosa por criticar isso? Tabus e tabus. Criticar o normal é algo absurdamente perigoso, é revirar as feridas alheias. Eu posso revirar minhas feridas, mas não há ninguém que consiga destrinchar o "normal" de forma sincera (e não ambígua) que não seja massacrado. Mesmo aqueles mais vanguardistas.
Pois bem. Minha personagem é livre. Arrogante, até concordo, mas é livre. Não se vê presa nas cordas da norma, não entende esses conceitos de beleza e estética e não consegue se adequar no mundo da imagem. Ela ainda vive apenas no mundo das palavras...
Mas toda critica é bem vinda. Talvez eu amenize os diálogos para torná-la mais simpática. O legal dessa personagem que embora ela lute, está fadada a se tornar um ser comum. Então, embora exista um discurso do diferente, a norma a dominará. Ela não sempre domina? A norma é sádica...
Pois bem, minha grande amiga Gi leu o meu roteiro. Seus principais comentários foram:
1. Você pode melhorar suas passagens de tempo (sequencia do estacionamento na praia).
2. Seu corte de personagem está sem sentido. Quem é Núbia? De onde ela vem? Ela simplesmente surge?
3. Sua personagem é arrogante e preconceituosa. (Sequencia da crítica a bulimia).
E lá vem novamente a síndrome do papel branco... :)
Pois bem, minha análise em cima de sua análise. Concordo com o item 1, embora eu ache que o artifício de exibir somente a hora numa cartela resolva o problema. A intenção é fazer pequenas críticas ao caos que é viver no Rio de Janeiro, mas não vou ficar me alongando com discursos e grandes situações. São coisas pontuais mesmo. Talvez eu modifique, talvez não. Sugestão anotada.
2. O corte de personagem foi proposital. É de minha intenção que o Felipe esteja num momento, passe por uma decepção amorosa e no segundo seguinte aparece com outra mulher. Simples assim. É para se ter um estranhamento. Ele não estava com uma dor de cotovelo absurda há exatos dois segundos atrás? E após a cena decorrer é que você vai perceber que mais de quatro anos se passaram... Então... Deixa assim.
3. Agora a pior crítica. "Sua personagem é preconceituosa". Ela não está falando de uma personagem qualquer. Ela está falando da Bia, minha protagonista, a narradora da história. "E ninguém gosta de preconceito", em outras palavras, ninguém vai gostar do seu filme porque a sua narradora é antipática. Pois bem... Narradores são alter-egos de seus escritores. Não necessariamente somos nós mesmos, mas são imagens, representações de nossas perspectivas. Acusar um narrador assim, cruamente (e porque não cruelmente?) é quase um ataque pessoal. Doeu. Sempre doi. Escrever é um ato mais doloroso que o parto. Mexe com emoções, sentimentos, saudades. Coisas que por muitas vezes queremos deixar guardadinho lá no fundo de nossas almas, mas que para de fato construir, precisamos revirar. E é esse o processo que é claustrofóbico, angustiante. Sofro da agonia da criação, da agonia de revirar memórias em prol da construção da criação de algo. É quase uma terapia do medo.
Dói. E nós escritores somos sensíveis, presos nesse mundo imaginário que é libertário e aterrorisantemente aprisionador. Doeu. Doeu em saber que eu mesma sou arrogante assim, preconceituosa assim. Vivo num mundo meu, autista que não consegue entender essa motivação do "perfeito", do "belo", da imagem. Ainda vivo num mundo de idéias, das palavras, dos sentidos. E eu sou a preconceituosa por criticar isso? Tabus e tabus. Criticar o normal é algo absurdamente perigoso, é revirar as feridas alheias. Eu posso revirar minhas feridas, mas não há ninguém que consiga destrinchar o "normal" de forma sincera (e não ambígua) que não seja massacrado. Mesmo aqueles mais vanguardistas.
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Pois bem. Minha personagem é livre. Arrogante, até concordo, mas é livre. Não se vê presa nas cordas da norma, não entende esses conceitos de beleza e estética e não consegue se adequar no mundo da imagem. Ela ainda vive apenas no mundo das palavras...
Mas toda critica é bem vinda. Talvez eu amenize os diálogos para torná-la mais simpática. O legal dessa personagem que embora ela lute, está fadada a se tornar um ser comum. Então, embora exista um discurso do diferente, a norma a dominará. Ela não sempre domina? A norma é sádica...
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